terça-feira, 24 de novembro de 2009

Tempo!

Fim de semestre... milhões de provas, trabalhos e o tempo cada vez mais curto... é a vida moderna e seus prazeres... Até escreveria mais sobre o "caso Uniban", mas até essa notícia já virou história do passado...

Como farei uma prova em menos de 40 minutos, sequer posso fazer um post decente sobre alguma notícia bombástica ou a presença do Ahmadinejad em Brasília...

Mas termino esse pequeno texto apontando para a esperança de ver o Flamengo campeão, sei que isso não tem absolutamente nada a ver com o teor majoritário do blog... mas dane-se... "final" de Brasileirão não se fala em outra coisa...

sexta-feira, 6 de novembro de 2009

Enquanto isso na Unibam

Já ouvi diversos posicionamentos sobre o caso da estudante covardemente insultada e sua minissaia... afinal de contas, escâncalos são excelentes tópicos de conversas de butiquim.

Dentre as diversas filosofias, e mais eloqüentes teorias, há duas e principais correntes. A primeira assegurando que a dita estudante fez por merecer, pois convenhamos.... micro-minissaia não tem lugar em faculdade. E a segunda corrente é apoiada por mentes mais "liberais", defensoras da garota e crentes que a Uniban é formada apenas por gordas e gays (por favor, percebam o tom irônico da situação todas).

Sem querer entrar no mérito do porquê um vestido vermelho foi usado aquele dia, ou a preferência sexual dos estudantes, vejo aqui duas situações ainda mais alarmantes. A primeira delas, já conhecida por muitos, é essa doença social que afeta o país há sabe-se lá quantos anos (se não é desde que o Brasil se entende por Brasil) e irritantemente insiste em esconder os mais diversos tipos de intolerância arraigados no nosso sangue. Somo "liberais" e simultaneamente conservadores...

Como já reclamei em água passadas, louvamos bundas carnavalescas e prezamos pelo sexo pós-casamento. Somos um país com uma porcentagem gigantesca de divórcios, mas mantemos a família como pilar da nossa sociedade... sem contar que somos o país com o maior número de fiéis cristãos, e sede de aproximadamente 3 milhões de abortos ilegais e infectos por ano...

Acredito que seria excelente escrever sobre isso no "Dia Internacional da Mulher" (mas a distância da data não me permite esperar), afinal é o momento em que mais se fala no grande mito do "sufrágio universal". A maravilhosa isonomia de gêneros que, nesse país e no resto do mundo, é tão real quanto elefantes cor-de-rosa... assumam: o nosso país é machista!

Basta olhar para uma simples propagande de detergente, que não difere muito das que já existiam nos anos 50. As mulheres felizes por ganhar um liqüidificador no natal foram substituídas por mães neuróticas por limpeza. E até atrizes, dotadas daquele ar de independência adotam o estima da multi-mulher: são mães, empregadas domésticas, esposas e profissionais liberais de uma só vez. Sendo que os trabalhos mais importantes são os de empregada doméstica e esposa....

Já a segunda doença social que vejo não é típica do brasileiro, mas do globo... é a incapacidade humana de agir isoladamente, adotando o disfarce do grupo para não dar a própria cara a tapa. Sabemos que é reprovável chamar alguém de "puta", sabemos o que fazer para humilhar alguém, sabemos quando estamos cometendo um crime, e quando estamos em grupo usamos o disfarce do super-homem. Me preocupa saber que essa é a mesma fórmula usada por grupos extremistas, neo-nazis, espancadores de garçons e queimadores de índios... extirpa-se a responsabilidade se existe o grupo...

E no caso específico daquela menina, basta que um, escondido pela máscara do grupo, jogasse um caderno, uma pedra, um sapato ou um tapa, para que os outros universitários (uma das esperanças do nosso país!) agissem como uma alcatéia de hienas sedentas por carniça.

Creio a cada dia que não deveríamos usar a palavra "sociedade" para definir sociedade... Deveria se chamar Butantã...

segunda-feira, 2 de novembro de 2009

I said maybe

O seu olhar lá fora,
O seu olhar no céu
O seu olhar demora
O seu olhar no meu...

O seu olhar melhora o meu...

Onde a brasa mora
E devora o breu
Como a chuva molha
O que se escondeu

O seu olhar agora,
O seu olhar nasceu,
O seu olhar me olha,
O seu olhar é seu...

O seu olhar melhora o meu.

sexta-feira, 30 de outubro de 2009

Oh well, whatever, nevermind

Longo deveria ser o abraço,
tão grande quanto a força do próprio braço...
e esses dois deveriam se igualar ao peso da saudade...

Saudade é vida de beira de abismo, sabendo que existe sim alguém do seu lado, mas por alguma razão, a distância é intransponível...

quinta-feira, 29 de outubro de 2009

Tourne

Não tenho dúvida... sou viciada... eu e a torcida do flamengo...

Meu primeiro vício provavelmente foi o leite materno... aposto o meu irmão que eu ficava chorando o dia inteiro querendo mais. E como todo psicólogo mais ortodoxo diria... parei na fase oral... não, não é o momento de pensar em duplos sentidos...

Descobri o cigarro! E as portas para uma vida social totalmente nova, no grupo dos "descolados" da escola, aquela coisa meio James Dean no portão de entrada... calça jeans, coturno, cara de má e o cigarro no canto da boca. Até algum tempo atrás pensei se tratar de um vício charmoso... hoje em dia é só vício. E o interessante é que todos os meus vícios foram adquiridos na adolescência. Inclusive o primeiro gole de álcool, ruim que só... mas muito engraçado quando foi somado a outros 20 goles...

Descobri o vício do "gostar" de alguém... já que "amor" e "paixão" eram termos muito fortes pra época. Gostar é diferente, poucos conseguem sentir isso depois dos 20... a sensação de insegurança sem o menor fundamento e as tais das borboletas no estômago voando histericamente. Gostar também é um vício, mas essa é uma droga rara. Acho que chega a ter mais heroína no Brasil inclusive...

Depois começam os vícios pesados... a preocupação com o dinheiro, especialmente quando você um estudante/recém-adulto desempregado... e por fim, o mais punk de todos... o amor é claro... E sem esse, eu não vivo nunca, tenho certeza...

sábado, 24 de outubro de 2009

The lights are on but there's no one home

Não que o mundo tenha mudado tanto quanto ele girou nas últimas décadas, mas é de se crer que alguma diferença surgiu no que diz respeito à isonomia de gêneros... isso é que eu quero pensar... No entanto, pensar dessa forma é cada vez mais difícil quando sou obrigada a me deparar com um livro chamado "Descubra sua vaca interior - Manual da mulher poderosa" entre as prateleiras da Saraiva.

Embasbacada com o título (afinal de contas, nunca pensei em descobrir o ruminante dentro de mim), vejo que o pior ainda está por vir: o livro é um manual de como ser independente e dar a cara à tapa com suas opiniões próprias.

Quer dizer que se sou auto-suficiente e falo o que é penso... eu sou uma vaca??? Eu achava que já havíamos pulado essa parte não? E os anos 70? A criação do Conselho dos Direitos da Mulher? O tal do sufrágio universal?

Elizabeth Hilts (autora do livro) é mais uma peça dessa quebra-cabeça maluco que é o Ocidente... e o qual não faz o menor sentido! Há 24 horas pensava sobre a imposição midiática da castidade nos jovens de 14 a 25 anos (pasme!) e cruzo com esse livro. Afinal, o que esperam que sejamos??? Vivo no país do carnaval, entre anéis de castidade e manuais da cretinice! Vivo num mundo onde as mulheres ou têm curvas ou têm neurônios, combinadas com a capacidade de ganhar um horário televisivo dependendo da excelência do, perdoem-me, boquete.... Estudo em faculdades rodeada por moças de família, tão fofinhas quanto necessariamente virgens...

E o best-seller do ano de 2005 foi escrito por uma prostituta!

Alguém encontra o sentido e me fala qual é por favor?

Obs: "vaca" foi a tradução brasileira para o termo "bitch", mas notem que ele também pode ser substituído por cadela, cachorra ou puta... como quiser...

quinta-feira, 22 de outubro de 2009

Who will comfort me?

Não aprendemos nada com os nossos pais, muito pelo contrário, parece que somos cada vez mais inspirados pelos nossos avós! Já comentei com uma série de pessoas o seguinte fato presenciado por mim, mas conto novamente:
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Lá estava eu feliz e contente numa aula prática de processo penal, quando não pude deixar de ouvir a conversa entre duas jovens mulheres sentadas ao meu lado...
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- Sabe... eu chorei tanto, mas tanto, mas tanto quando ele me disse que não ia... Mas não mostrei que estava triste, e pisei nele amiga...
- Ah bem feito amiga! - disse a outra empolgadíssima com a pena que o sujeito sofria por sabe-se lá qual pecado.
- E aí a gente conversou... mas quando fez as pazes... sabe... ele mó veio com segundas intenções!!
- Como assim amiga?
- Sabe... o assunto veio parar de novo no...sshhcso... - sendo essa última palavra absurdamente baixa...
- No que amiga??
- No seexo amiga!!
- Ele ainda insiste nisso??? Amigaaa... ele não te respeita meeesmo!! - e as duas ficaram se olhando embasbacadas com tamanha brutalidade... afinal de contas... como um ser humano de 21 anos de idade tem a coragem de assumir que tem vontade de dar umazinha???
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E nisso o meu cérebro deu TILT...O assunto todo me veio à cabeça quando conversava com uma grande amiga ontem, que me contava uma situação semelhante na sua aula de psicologia. A cena é a mesma: duas jovens (pelos seus 22, 23 anos) conversavam e riam baixinho, até que outra pergunta sussurrando "você é virgem?"
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Outro cérebro pifa... A questão aqui não é ser ou não ser virgem... Até mesmo porque com 20 anos na cara, ter esse tipo de "debate cabeça" seria mais sem noção que a própria crítica. A questão é que em pleno século XXI, após vários sufrágios forjados ou não, após uma contínua luta pela isonomia de gêneros, após a queima de sutiãs e mulheres em fábricas... sexo é um imenso tabu. E não falo só de bizarrices e fetiches. O simples ato de transar por prazer é um tabu! Aliás "transar" é um termo tabu, e deus sabe lá quantos outros tabus temos por aí...
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E no final de tudo... os ídolos da nossa juventude usam um anel símbolo de castidade.

quarta-feira, 21 de outubro de 2009

Forgot about my love

Em pleno século XXI, os relógios ganharam a capacidade de tornar 24 horas um espaço de tempo muito curto. E ganhamos a excelente capacidade de viver sob pressão... A clássica pressão da classe média, aquela que todo mundo conhece: preocupada com a violência mas nem tanto, ganhando dinheiro, mas nem tanto, e relaxando num pacote CVC tri-anual.

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E como não podia ser diferente, cria medianamente classisista, sou um ser pressionado por natureza... E num surto de reflexão, gastei alguns minutos do meu curto dia para pensar no assunto.

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O mais bizarro dessa história toda foi que a minha primeira pressão foi a pressão estética... Um processo maluco capaz de atingir uma menina de 04 anos de idade infeliz com os olhos castanhos e inconformada com a própria "feiúra", com a magreza e os cachos formados nas pontas do cabelo.

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Veio então o conformismo, se não conquistava de um jeito, conquistaria de outro. E nisso fagocitei o conceito "feia e nerd", só faltou o aparelho nos dentes... A pressão estética continuou e somou-se à pressão de gabaritar provas...

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O mundo não parou por aí, muito menos a paranóia, era preciso ganhar cultura... Ao menos essa foi uma pressão da qual não me arrependo. Não me arrependo mesmo... Dostoievski, Zola, Pessoa e Saramago tornaram-se nomes conhecidos que, dentre vários outros, tomei como parte essencial na minha vida, e até mesmo uma futura profissão...

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E assim eu sigo... cambaleante entre uma pressão e outra, lutando para vencer a pressão de ser bonita, bem sucedida (para dizer um eufemismo de rica), culta, amada, simpática, malhada e todos esses absurdos que tomamos como essenciais para nossas vidas... Todos os supérfluos que juntos formam o nosso hino, formam a nossa nação desesperada, classicista e hipocritamente moralista...

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E assim eu me formo, assim eu me guio...

quarta-feira, 14 de outubro de 2009

Para aquele que procura a vida na "vida"

La Tibre seul, qui vers la mer s'enfuit
Reste de Rome. O mondaine inconstance!
Ce qui est ferme, est par le temps détruit
Et ce qui fuit, au temps fait resistance

A Roma de Roma é apenas o seu nome... como a vida da vida é apenas abstração. São idéias formadas no nosso imaginário ocidental, imaginário esse que nos faz voar, quando realmente mantemos os nossos pés bem presos ao chão...

A Roma que agora existe são ruínas, fragmentos e pó, próximos ao que um dia foram os seus inimigos. Como a nossa vida é também o mais próximo da morte que teremos e temos a cada instante... a cada célula que morre por segundo... cada grupo de células... o problema vem quando todas as nossas células decidem morrer no mesmo instante. Aí trocamos o verbo por eufemismos: nossas células "partem", vão "dessa para melhor", ou até mesmo "viajam subtamente para a Califórnia".

E com medo corremos... corremos feito loucos... mas corremos do modo mais imbecil de correr... corremos para a "segurança" de quatro paredes, corremos para o mais próximo de um útero que conseguimos encontrar. E esquecemos que as ruínas de Roma são justamente as suas paredes, os seus fortes, a sua segurança... Justamente o que foi construído para se manter monumental por séculos é o primeiro alvo de um ataque...

Esquecemos que a única lembrança viva, de fato viva, é o Tibre de Roma... Aquele que verdadeiramente correu, corre, flui e vive... É justamente do inconstante que se faz a vida... o que é fechado, é pelo tempo destruído, e o que flui, ao tempo resiste...

Caso contrário, as nossas células se tornam ruínas... as nossas vidas... tornam-se nomes... tornam-se Roma...

sexta-feira, 9 de outubro de 2009

Half smile on the outside

Love is an ocean in your bedroom
Can make you feel warm until you're not
Until someone else refuse you
Until you beg for more
And the other lover don't
.
It can make the snow fall
And be your first rehab
Until you think you know it all
And search for a running cab
.
Love will be your first bloodstain
When your hair no longer stand
Up on someone else's hand
Then you'll belive you're not the same
Until you feel your blood again
Once more, rolling in your veins
.
You'll love again like you never did
And kiss like you never kissed
And belive that you're unique
...
Until you're not

Don't forget me

Vivi sempre buscando uma certa harmonia, querendo um mar calmo depois da tempestade. E sempre vivi achando que chovia torrencialmente... quando, na verdade, eu sempre queria mais e mais tempestades, e ainda quero, é assim que sinto a vida. E vivi sempre esperando, acreditando que o amanhã seria melhor... e agora percebo, um amanhã melhor é um amanhã patético...

Gosto de sentir paixão em tudo, justamente por isso busco a loucura... não querendo admití-la, negando esse vício... mas sempre agindo para que ela apareça. Vejo enfim que vivi uma vida fantástica... vivi, bebi e conheci pessoas fantásticas... e todas fizeram a rotina valer a pena, por mais inexistente que seja a minha rotina.... Procuro ser impulsiva, até quando as pernas tremem com medo do desconhecido... e não me arrependo... Absolutamente não me arrependo... e é assim, cambaleando, que estou me conhecendo.

Sempre acreditei também que eu era o resultado de um "eu" e mais alguém. E culpei esses vários "alguéns" pela minha falta de personalidade, uma vez que o outro sempre ia embora e era rapidamente substituído por um novo perfume. Mas, por hoje, não culpo... sou justamente isso: eu e mais alguém... E vou inundar os meus sentidos com os sentidos dos outros, vendo que cada personagem da minha vida é essencial, é parte de um livro único, que quero escrever com cada vez menos sentido. E quero ter taquicardia sempre que escuto uma música no rádio, lembrando de alguém... Quero andar na rua e ver um sorriso conhecido, que completa o meu... um abraço extendendo o comprimento do meu braço, e um outro corpo sempre aumentando o meu tamanho... E isso vale para todos que entrarem na minha vida... longe da uma interpretação meramente romântica... não me completo apenas romanticamente, busco mais, em relações universais...

Quero me completar com o sorriso de quem me vende um café, com um olhar disfarçado em uma sala de aula, e prencipalmente com a companhia dos amigos... Hoje, no meio de uma insônia, amo a vida como nunca, amo todos que passaram e passam pela minha vida como nunca também, e crio expectativas em nome do mundo todo... Tenho fé em 6,6 bilhões de pessoas, tão únicas quanto podem ser... Acredito que a vida seja sim essa loucura, e por ela eu vou lutar, cada vez mais, com toda a minha força, até a minha força se esgotar.

segunda-feira, 5 de outubro de 2009

Maré de azar?

Acho que já deu a minha cota de "azar" do ano... agora é só alegria! =D

segunda-feira, 28 de setembro de 2009

Assinado Eu

Já faz um tempo
Que eu queria te escrever um som
Passado o passado,
Acho que eu mesma esqueci o tom
Mas sinto que
Eu te devo sempre alguma explicação.
Parece inaceitável a minha decisão.
Eu sei.
.
Da primeira vez,

Quem sugeriu,
Eu sei, eu sei, fui eu.
.
Da segunda

Quem fingiu que não estava ali,
Também fui eu.
Mas em toda a história,
É nossa obrigação saber seguir em frente,
Seja lá qual direção.
Eu sei.
.
Tanta afinidade assim, eu sei que só pode ser bom.

Mas se é contrário,
É ruim, pesado
E eu não acho bom.
Eu fico esperando o dia que você
Me aceite como amiga,
Ainda vou te convencer.
Eu sei.

.
E te peço,

Me perdoa,
Me desculpa que eu não fui sua namorada,
Pois fiquei atordoada,
Faltou o ar...
.
Me despeço dessa história

E concluo: a gente segue a direção
Que o nosso próprio coração mandar,
E foi pra lá, e foi pra lá, e foi pra lá...
.
.
. . . Ass: Tiê

domingo, 27 de setembro de 2009

Pessoa

Quem me dera eu fosse o pó da estrada
E que os pés dos pobres me estivessem pisando...
Quem me dera eu fosse os rios que correm
E que as lavadeiras estivessem à minha beira...
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Quem me dera eu fosse os choupos à margem do rio
E tivesse só o céu por cima e a água por baixo...
Quem me dera eu fosse o burro do moleiro
E que ele me batesse e me estimasse...
.
Antes isso que ser o que atravessa a vida
Olhando para trás de si e tendo pena...

quinta-feira, 24 de setembro de 2009

I won't go... I won't sleep...

Em momentos nervosos, aqueles típicos de crise, costumo repetir para mim mesma “a dor é ilusória”. E não é? Não, não estou pedindo para amputarem o meu braço a fim de provar que a dor é ilusória, não estou falando da dor que causa a perda de sangue, da dor de uma doença, muito menos da dor da morte. Mas falo daquelas dores criadas e reproduzidas a cada dia pela vida moderna. A dor de se olhar no espelho, de se obrigar a ser feliz e de ser ainda mais frustrado por não conseguir...
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As dores modernas são fúteis, e ainda assim, na sua poça de profundidade, conseguem machucar os corações mais desprevenidos...
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Se o que dói tanto é a aparência, é uma tendência humana se achar horroroso... acho que isso se dá pelo simples fato de termos olhos voltados para fora do nosso rosto, e não penduramos espelhos em nossas cabeças. Vemos muito mais a aparência dos outros do que as nossas, reparamos muito mais na beleza dos outros do que nas nossas, fotografamos outros rostos em momentos únicos, não os nossos... e nessa ânsia por ver e reparar apenas nos outros, queremos viver vidas que não as nossas...
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Outra dor moderna e insuportável é a dor do fim...
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Obs: Vale lembrar que quando uso o termo “moderno” me refiro à sociedade católica apostólica romana ocidental levemente esclarecida em que estou integralmente inserida... Não que os outros não sejam modernos, mas porque desse lado do continente, essa palavra vem com esse peso...
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E outra dor moderna e insuportável é a dor do fim... Quem não sofre? Quem nunca ouviu aquela música de Love Story no meio da rua, pensou que estava ficando louco e realmente estava!? Quem nunca sentiu aquele misto de borboletas no estômago com vômito ao ver o ser amado platonicamente passando bem na sua frente?
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E como sofremos... como sofremos... Nossas vidas continuam sendo exatamente as mesmas, nossos amigos continuam sendo exatamente os mesmos, e até aquele taxado de amor platônico continua sendo exatamente o mesmo! Mas ainda assim, as cores do mundo mudam... tornam-se tons de cinza...
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E é por isso, que para relaxar eu penso “a dor é ilusória”... porque ela realmente é! Essa dor nunca aparecerá no meio da noite para me matar sorrateiramente, jamais se materializará num ônibus que irá me atropelar, muito menos mudará a minha vida.
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Apenas nós mesmos mudamos nossas vidas (e a novidade?). Quem nos faz chorar? Nós mesmos! Nossos pensamentos ilusórios, nossas decepções... E pior! Nós nos provocamos decepções! Nós jogamos a nossa felicidade nas costas do outro, criamos uma imagem irreal do outro, cheia de expectativas, acreditando, infantilmente, que não iremos quebrar a cara!
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Sim, iremos quebrar a cara, iremos morrer mil vezes, iremos chorar a dor ilusórias, iremos nos acalmar, jurar que jamais permitiremos isso novamente, nos apaixonar, nos envolver, e sim... iremos quebrar a cara, iremos morrer mil vezes, iremos... iremos... e continuaremos...

domingo, 20 de setembro de 2009

Ou tudo ou nada

Sempre levei a sério extremos... até um certo ponto da minha adolescência, acreditava que ser diferente ou especial seria conseqüencia de posicionamentos duros, teimosos e radicais... E foi assim por muito tempo, até conhecer a rotina de submissão amorosa à qual estamos todos fadados, nem que seja só por uma vez na vida.

E assim conheci o verbo "ceder", conheci até demais... conheci as possibilidades, principalmente aquelas que o seu próprio cérebro inventa para te fazer acreditar que a rejeição não é a rejeição, que o grito não é exatamento um grito e que brigas vão reduzindo à medida que nos acomodamos. E então conheci um fora... e nossa como doeu... foi a dor mais insuportável da minha vida...

E então conheci outro fora... e doeu mais ainda! Também foi a dor mais insuportável da minha vida... até conhecer outro, e outro, e outro... e todos ganhavam o pódio de insuportabilidade da dor... E então eu desisti...

E me vi numa espécie de bolha, flutuando no ar sem pé, chão, teto ou cabeça... E como me encontrar a partir disso? Como saber quem eu sou depois de 5 ou 6 anos pensando que minha alma era formada da soma entre eu e o outro?

E depois da desilução e todo aquele papo que todo mundo conhece, voltei a ter a maturidade que tinha aos 16 anos de idade... esperando agora evoluir por conta própria, descobrir de fato o que sou ou o que penso... se sou conservadora, se sou inteligente, se sou culta ou se o meu sonho é ser absoluta num crossfox... tanto faz...

E aí... aí sou a incoerência absoluta, querendo o mundo ao meu redor e ninguém por perto... Quero poder ser o colo de tanta gente, ao mesmo tempo não ter colo nenhum, não precisar de ninguém, viver finalmente o meu conceito de liberdade apostólico romano ocidental, achando que assim estou vivendo a vida... mas quero viver essa incoerência, para depois conseguir a minha maturidade... minha, e só minha...

Quero ter uma alma minha... e só minha também...

E então passei a ver o mundo com olhos de tudo ou nada novamente, comecei a buscar minhas opiniões radicais e únicas na sua incoerência... Comecei a ver e viver o meu "tudo ou nada"...

E na minha incoerência, vivi outro tudo ou nada ontem...
Uma ligação recusada, um sumiço, uma porta e um acidente...
Uma batida forte no meu carro ou o meu corpo preso em ferragens?
Uma amiga que está indo embora, um pai que nunca voltou e a perda sempre presente...

Prefiro ser tudo ou nada a viver a construção de um novo buraco

sábado, 12 de setembro de 2009

Quebra-cabeças?

Me ponho tanto no céu profundo quanto no precipício
Numa sensação intensa, cujo efeito é daninho.
Confusa, me vendo entre o bem e o malefício
Não fiz como os poetas que renderam-se ao vinho...

Me rendi, mas aos prazeres da alma tempestuosa.
Que a primeira vista me deixa encantada
Me sinto mais forte, mais corajosa...
Para depois perceber que em verdade, não era nada...
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E aqui deveria ter o final de um poema...
mas não consigo escrever,
mais nada...

Killing time... unwillingly mine

Tive uma constatação óbvia hoje... o tempo não volta...
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Sim, sim... eu sei que não descobri a América por isso... muito menos foi a primeira vez que cheguei a essa brilhante conclusão, mas como todas as vezes que percebo isso, sempre há uma reflexão necessária sobre a vida...
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O tempo não volta! Então... o que fazer? Como aproveitar? Como viver? E inúmeras perguntas retóricas poderiam ser feitas... Sei que não estou no meu pior momento de vida, muito pelo contrário, é um dos melhores. A cada dia uma pessoa nova, um relacionamento, uma vida... Mas até que ponto a festa vale a pena? Justamente pela falta de volta do tempo, até que ponto relacionar-se com alguém vale a pena? Quantas e inúmeras vezes faremos o que não devíamos, diremos uma grosseria, entenderemos contextos totalmente diferentes do real...
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Quantas e inúmeras vezes faremos, no sentido mais cru da palavra, merda com a vida dos outros? Ou com a nossa própria vida?
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Esse é (se não for O) um dos meus medos de relacionamentos... de qualquer espécie... o tempo é único, irreversível, e mesmo tendo consciência disso, vivemos como inconseqüentes... caminhando por um ciclo de desperdício de pessoas enormes... Se eu tiver mais uma birra, perco aquele amigo... Dando mais um tapa, perco um relacionamento paternal... Se eu der mais um passo, perco um brócolis delicioso (não... não é só pelo brócolis)...
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E vou perder mais o quê? Viver é perder? É isso? Cansei de perder pessoas fantásticas na minha vida, cansei de perder momentos importantes, ou a minha memória depois de uma festa... Se bem que... amnésica alcóolica é (às vezes) muito válido...
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Cansei de perder... Mas ainda assim, mesmo tateando bem antes de caminhar, continuo com medo da irreversibilidade do tempo... que definitavemente não volta...
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E justamente por não voltar, tem aquela hora em que você pensa: "iiih fodeu"
E aí... você está fodido...

segunda-feira, 31 de agosto de 2009

Lobotomy ensures my good behavior

You’ve become my life and death,
energy and peace…
And if I stop today it was still worth it.
Even the terrible mistakes that we made
and would have unmade if we could.


You were still worth it.
The pain that have burned me
and scarred my soul,
it was worth it…


Because when you kiss me,
I fell all four winds blow at my face…
Because you allowed me
to walk where I’ve walked,
which was to hell on earth,
heaven on earth,
back again, into, under,
far in between, through it, in it,
and above…


But what will I do
when you have no love for me?
When you become my lost captive
and no longer lies along my legs?


I’ll stop that day
but it will be still worth it…

De Ushuaia a la Quiaca

Acordei com vontade de mostrar ao mundo as minhas três maiores paixões, assumi-las e explicá-las… Hoje acordei com vontade de dizer que amo a palavra, admiro o ser humano e desejo o mar… Sou apaixonada pois cada vez mais vejo o tanto que são belos, imprevisíveis e igualmente misteriosos...
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A palavra pode vir da forma que for, e entendida de um jeito ainda mais único... dependendo sempre da entonação, do seu contexto, da língua de quem fala e do sentido desejado. Em conjunto, formam, quem sabe, a minha futura profissão... em catarse, formam o maior turbilhão emocional que pode ser visto... começam e destroem relações, vidas, filosofias e histórias... São tão belas que tem a capacidade de arrepiar um corpo pelo simples toque no ar... ainda mais no ar sussurrado...
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Pessoas também são palavras, só que mais fortes, mais sólidas... arrepiam com o toque físico, alegram com um sorriso, aparecem e desaparecem, deixando a nostalgia de um tempo bom, ou a esperança de alguém novo que sempre vem... São tão imprevisíveis quanto a própria vida... de repente você está ali, jogando sinuca... e uma garota de vermelho sorri do outro lado da mesa (não é fonso?), de repente essa pessoa está com você há dois anos... e quando menos se espera, você está numa festa aguardando a amnésia alcóolica do dia seguinte... e alguém sempre liga...
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E de repente... você está em frente ao mar... e milhares de pessoas também estão em frente ao mar, nas situações mais diversas possíveis. Sempre imagino quantas mulheres estão ao sol, quantos pescadores estão torcendo por um dia melhor, e quantas pessoas estão sentadas de casaco tomando frio na areia como eu, numa pseudo-filosofia-moderna... rasa e absoluta, e cujo fim é encontrado em si mesma...
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. . .Essa última é a paixão mais forte de todas... é a única que restará quando as palavras não fizerem mais sentido, e quando não me apaixonar mais por pessoas... o amor pelo desconhecido continua... nem que seja mais ao fundo...

sábado, 22 de agosto de 2009

Sem título

Acordo, paro, olho e me vejo entre
O espelho e a sempre presente pergunta:
Ainda sou aquelel fruto de um ventre
Ou tornei-me fruto da constante permuta?

Não posso tecer o meu auto-retrato
Enquanto meu corpo estiver em guerra.
E vez ou outra provo a paz num contrato,
É quando ponho meus pés sobre a terra.

Por não saber quem sou, realizo a proeza
De ser tudo e nada... Continuo assim
Tendo a cabeça erquida como lema

Somente posso afirmar com certeza
Que há alguém escondido dentro de mim
Podendo ser mais eu do que eu mesma...

domingo, 16 de agosto de 2009

Tem uma outra cabeça + Sobrevida

Tem uma outra cabeça na minha cama
Não sorri, mas ampara meus passos
Nos dias de chumbo, na lama do fundo

Tem uma outra cabeça na minha cama
Às vezes tem pesadelos
Às vezes me estende a mão
E me é às vezes desconhecida...

Tem uma outra cabeça que reinventa o mesmo
Em tudo que se ama
Que me lembra feridas, e perfumes dos momentos
Que não é metade de mim, mas me acompanha
Nessa minha curta longa vida

Tem barulho de gente na minha cama
Não é metade de mim
Mas me ama assim
Aos tropeços
E se há esquinas onde às vezes me firo tanto
É porque é na dor
Que se vislumbra algum futuro encanto

Tem corpo conhecido na minha cama
O resto é concreto muro, rachado e duro
E há séculos que, ao dormir eu o escuto
E isso me emociona
Saber que o sonho
Não está onde é sonhado, mas onde é pensado
Com insistência e arte
Tem alguém na minha cama
Que ao dormir, finge que parte

sexta-feira, 14 de agosto de 2009

Pra onde se vai

a
sua
infância
foi aquilo
que inventaram
para fazer você
acreditar que
já foi feliz
após sair
chorando
de um
O

quarta-feira, 12 de agosto de 2009

Love is these blues that i'm singing again

Escrevo minha língua na folha
Se minha própria língua não fala.
Mantenho a catarse à minha sombra
Na sombra de um quarto, cama ou sala.

Plantei meu pés distante do céu
Fiz raízes de quem adormeceu
Há muitos dias. Deixei ao meu redor
Folhas secas de uma dor maior.

E esse som de cravo é o meu choro
Trasmutado. Como o meu corpo
Antes roto, é agora outro cravo.

Por fim não ouço nem uma palma
Mesmo que na escrita eu me feche
E mesmo que eu nunca mais me abra.

terça-feira, 11 de agosto de 2009

Enquanto isso em 2005

Pobre gente esta que está inteiramente
amarrada à etiqueta
Pobres tão de corpo quanto de mente
a medida que sentam-se à mesa
durante anos forçando-se rigidamente

A medida que tudo passa e tanto treme
seja o vagão das sete
(ou as vezes que me uso do canivete)
A medida que morro ante os deuses
tão cedo quanto morro
ou quando já não conto mais as vezes
que provoco meu próprio aborto

Por todas as vezes que dei ao mundo
a saliva do meu cuspe
quando estes não valorizam mais que tudo
aquilo que valorizo mais que tudo,
... e ainda não sabem nada a meu respeito.
Não preciso me lembrar de todos
com ardente afeto

Monumento de hospício

O ser humano é estômago e sexo... Às vezes penso que não tenho nenhum dos dois. Vomito tudo que como, antes mesmo de sentir o gosto, e meu sexo é vazio. Mas o estômago ronca... nessas horas me sinto humana, quando não sinto nada... E às vezes também meu sexo se disfarça no amor, mas isso também passa... passa o gozo, volta a fome... era sexo e o meu vazio...

quarta-feira, 5 de agosto de 2009

Silêncio na Avenida Presidente Vargas

Me traduzo num retrato da contemporaneidade, tão profunda quanto. E me vendo refletida nessa poça d'água, vejo também ídolos que já têm a minha idade, ou são até um pouco mais novos... Talvez daí venha a minha crise... sensação de velhice precoce, de tempo perdido... Ainda mais quando fui programada pra ter a sensação de tempo perdido:
.
"Meu nome é Cinthia, tenho 20 anos, sou estudante de Direito, sou estudante de Letras em uma federal, sou fluente em português, inglês e francês..."
.
E daí ???
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É um belo curriculum, não vou negar... e o tempo perdido? Onde? Se sou quase um robô acadêmico? Se sofro do mal do excesso de formação?
.
É tempo perdido quando no final do dia fico completamente rasa, longe da abstração... Abstração que busco, difícil de entender e mais difícil ainda de explicar... Abstração que invade o corpo, quero entrar em sintonia com o mundo, deixar meu corpo espalhado por cidades e pessoas, e depois me derramar do céu... é essa a abstração que busco... me tornar cidadã do mundo, pra quem sabe descobrir que em 6 bilhões de pessoas, existe uma com a qual me identifico...
.
Nem pense que falo do romance... se tem delírio maior que o meu, só esse... e que fique bem longe de mim...
.
Existe um lugar, uma certa hora do dia, um alguém e toda uma situação com a qual eu vou me identificar... em alguma parte do mundo... E então eu vou saber que vim de lá, vou deixar de me sentir flutuante entre todos os contextos da minha rotina.... Vou deixar de ser um retrato da contemporaneidade: raso, absurdo, violento, sem sentido, fútil e infantil... e vou criar raízes...

domingo, 2 de agosto de 2009

Brasília

Antes fosse cidade grande... mas continua tendo charme...

sexta-feira, 31 de julho de 2009

Rio de Janeiro love blues

Foi qualquer hora
Qualquer gole, um trago
Alguém na rua gritou gol!
Eu vi um balé estranho que passava
De automóveis e naves a brilhar
Rio de Janeiro love blues

E eu mendingando
O teu amor na calçada
Por entre cochichos, gargalhadas
Vendo estrelas e anúncios luminosos
Por baixo da mesa eu te escolhi
Rio de Janeiro love blues

Com o know how de uma dona de casa
Escolhendo as frutas com o freguês
Com a burrice de um peixe
Que morde a isca
Você vai me seguir pra onde eu quiser
Rio de Janeiro love blues

E agora chega de saudade...

terça-feira, 28 de julho de 2009

Fernando Sabino

CARIOCA, como se sabe, é um estado de espírito: o de alguém que, tendo nascido em qualquer parte do Brasil (ou do mundo) mora no Rio de Janeiro e enche de vida as ruas da cidade.


A começar pelos que fazem a melhor parte sua população, a gente do povo: porteiros, garçons, cabineiros, operários, mensageiros, sambistas, favelados. Ou simplesmente os que as notícias de jornal chamam populares: esses que se detêm horas e horas na rua, como se não tivessem mais o que fazer, apreciando um incidente qualquer, um camelô exibindo no chão a sua mercadoria, um propagandista fazendo mágicas. A improvisação é o seu forte, e irresistível a inclinação para fazer o que bem entende, na convicção de que no fim da certo — se não deu é porque não chegou ao fim.


E contrariando todas as leis da ciência e as previsões históricas, acaba dando certo mesmo porque, como afirma ele, Deus é brasileiro — e sendo assim, muito possivelmente carioca.
Pois também sou filho de Deus — ele não se cansa de repetir, reivindicando um direito qualquer. Que pode ser pura e simplesmente o de dar um jeitinho, descobrir um 'macete', arranjar lugar para mais um.


Toda relação começa por ser pessoal, e nos melhores termos de camaradagem. Para conseguir alguma coisa em algum lugar conhece sempre alguém que trabalha lá: procure o Juca no primeiro andar, ou o Nonô, no Gabinete, diga que fui eu que mandei. Até os porteiros, serventes ou ascensoristas têm prestigio e servem de acesso aos figurões. Todo mundo é 'meu chapa', 'velhinho', 'nossa amizade'. Todos se tratam pelo nome de batismo a partir do primeiro encontro. E se tornam amigos de infância a partir do segundo, com tapas nas costas e abraços efusivos em plena rua, para celebrar este extraordinário acontecimento que é o de se terem encontrado.


A maioria dos encontros é casual, e em geral em plena rua — pois ninguém resiste às ruas do Rio: a gente se vê por ai, quando puder eu apareço. Os compromissos de hora marcada são mera formalidade de boa educação, da boca para fora. Mesmo estabelecido, de pedra e cal, há uma sutileza qualquer na conversa, que escapa aos ouvidos incautos do estrangeiro, indicando se são ou não para valer. Na linguagem do carioca, 'pois não' quer dizer 'sim', 'pois sim' quer dizer 'não'; 'com certeza', 'certamente', 'sem dúvida' são afirmações categóricas que em geral significam apenas uma possibilidade.


Encontrando-se ou se desencontrando, como se mexem! As ruas do Rio, mesmo em dias comuns, vivem cheias como em festejos contínuos. Todos andam de um lado para outro, a passeio, sem parecer que estejam indo especialmente a lugar nenhum. As esquinas, as portas dos botequins e casas de comércio, os shopping-centers cada vez mais numerosos, todos os lugares, mesmo de simples passagem, são obstruídos por aglomerações de pessoas a conversar em grande animação.


E como conversam! Falam, gesticulam, cutucam-se mutuamente, contam anedotas, riem, calam-se para ver passar uma bela mulher, dirigem-lhe galanteios amáveis, voltam a conversar. Ninguém parece estar ouvindo ninguém, todos falam ao mesmo tempo, numa seqüência de gargalhadas. Em meio à conversa, um se despede em largos gestos e se atira no ônibus que se detém para ele fora do ponto, a caminho da Zona Sul.


Copacabana, Arpoador, Ipanema, Leblon — praias cheias de cariocas, como se todos os dias da semana fossem domingos ou feriados. Espalhados na areia, ou andando no calçadão, se misturam jovens e velhos de calção, mulheres em sumárias roupas de banho, gente bonita ou feia, alta ou baixa, magra ou gorda, na mais surpreendente exibição de naturalidade em relação ao próprio corpo de que é capaz o ser humano.


Do Leblon em diante, convém por hoje não se aventurar: São Conrado, Barra, Jacarepaguá, Floresta da Tijuca — o dia não terá mais fim. Em vez disso, se o visitante, depois de se deslumbrar com a Lagoa Rodrigo de Freitas, dobrar uma esquina do Jardim Botânico, Botafogo ou Flamengo, de repente se verá numa rua sossegada, ladeira acima, com casarões antigos cobertos de azulejos que o atiram aos tempos coloniais. Laranjeiras, Cosme Velho — uma viela tortuosa o conduz a um recôndito Largo do Boticário, de singela beleza arquitetônica, que faz lembrar Florença.


Se o visitante subir esta outra rua, logo se verá cercado de verde por todos os lados, à sombra de frondosas árvores onde cantam passarinhos e esvoaçam borboletas — podendo até mesmo surpreender num galho as macaquices de um sagüi.


E do alto do morro, verá a paisagem abrir-se a seus pés, exibindo lá embaixo a cidade inteira, do Corcovado ao Pão de Açúcar, entre montanhas e o mar. Depois de admirá-la, sentirá vontade de integrar-se a ela, regressar ao bulício das ruas e ao excitante convívio dos cariocas.
A partir deste instante estará correndo sério risco de ficar no Rio para sempre e se tomar carioca também.

sexta-feira, 24 de julho de 2009

Notícias do Rio

Estou viva! Depois de muitas noites não dormidas, praia, sol, chuva, festa... que cidade fantástica... Tenho só mais uma semana aqui e vou com a certeza de que ao entrar no avião de volta vai bater uma deprê absurda... Feliz por voltar pra todo mundo, mas na merda por sair daqui... Já disse e repito, a minha vida estaria perfeita se eu pudesse transportar todos que amo pra cá!
.
E nem sei o que dizer! Aconteceu tanta coisa nessa cidade! Acho que o mais estranho aqui é a simpatia das pessoas... chegam, conversam, ficam amigas e de repente entram no ônibus pra nunca mais te ver na vida... Aqueles que gostam de criar vínculos (como eu) sofrem...
.
Vou sentir saudade da vista que eu tenho na barra, de passar 2h num ônibus vendo a orla, de encontrar elenco de novela no shopping, andar pelo calçadão, copacabana... Até da marra carioca eu vou sentir saudade! Esse pessoal que insiste em me dizer que eu tenho sotaque...
.
Enfim... vou parar de gastar o meu tempo na internet... afinal de contas, eu tô no Rio de Janeiro!

domingo, 12 de julho de 2009

Chega de saudade

Prometo que ao nadar

vou contar os peixinhos no mar...

quinta-feira, 9 de julho de 2009

Elle s'en va

Contei os centimetros para te dizer,
o valor das melhores coisas que eu vi
Juntei pedaços de papel rasgado,
pra ler depois quando me sentir mal

Sempre soube que a escada está ao nosso lado
Mas como faço sempre, evito descer
em um lugar que eu não posso estar ao seu lado

Quando eu me importava em pensar
Quando eu tentava só pensar

Há algo em cima de nós
Que ainda não aprendemos contar
Sentados no lugar mais alto,
brilhantes diamantes amarelos,
que eu podia ver entre você
e seu imenso espelho da cor do mar
Seus olhos ah....

segunda-feira, 6 de julho de 2009

Birds flying high, you know how i feel

A autodestruição surge após múltiplas perdas
fragmentos de dias perdidos
ao longo dos anos, perdas, rupturas
acúmulo de pequenos conflitos
hora a hora
........... hora a hora
....................... hora a hora
A si próporio torna-se impossível olhar
Quando o gesto falha
quando tudo se modifica
quando após a tentativa
restam só seqüelas
a nova tentativa torna-se então a estratégia
é, na verdade, uma técnica de sobrevivência
E a mão, certeira, não se engana
no número de comprimidos
ou no alvo do tiro
(um só tiro, que seja definitivo)
na angústia intolerável quando nada faz sentido
A angústia intolerável cessa naquele momento
se perde, na mesma perda de tempo
então é passado
Fica-se na dúvida em viver ou morrer
aqui ou lá
partir ou continuar cá
E hesita até o último momento
na esperança de uma paz duradoura que preenche quem parte
morre na esperança de que quem morre renasce

domingo, 5 de julho de 2009

"Yo si sueño en ti"

- Vai rever as rosas. Tu compreenderás que a tua é a única no mundo. Tu voltarás para me dizer adeus, e eu te farei presente de um segredo.

Foi o príncipezinho rever as rosas :

- Vós não sois absolutamente iguais a minha rosa, vós não sois nada ainda. Ninguém ainda vos cativou, nem cativastes a ninguém. Sois como era a minha raposa. Era uma raposa igual a cem mil outras. Mas eu fiz dela um amigo. Ela é agora única no mundo.

E as rosas estavam desapontadas.

- Sois belas, mas vazias, disse ele ainda: Não se pode morrer por vós. Minha rosa, sem dúvida um transeunte qualquer pensaria que se parece convosco. Ela sozinha é, porém mais importante que vós todas, pois foi a ela que eu reguei. Foi a ela que pus sob a redoma. Foi a ela que abriguei com o para vento. Foi dela que eu matei as larvas (exceto duas ou três por causa das borboletas). Foi a ela que eu escutei queixar-se ou gabar-se, ou mesmo calar-se algumas vezes. É a minha rosa.

"Yo si pienso en ti"

(...)

Mas aconteceu que o príncipezinho, tendo andado muito tempo pelas areias, pelas rochas e pela neve, descobriu enfim uma estrada. E as estradas vão todas na direção dos homens.

- Bom dia, disse ele.

Era um jardim cheio de rosas.

- Bom dia, disseram as rosas.

O príncipezinho contemplou-as. Eram todas iguais à sua flor.

- Quem é? Perguntou ele estupefato.
- Somos rosa, disseram as rosas.
- Ah ! Exclamou o príncipezinho...

E ele sentiu-se extremamente infeliz. Sua flor lhe havia contado que ela era a única de sua espécie em todo o universo. E eis que havia cinco mil, iguaizinhas, num só jardim !

« Ela haveria de ficar bem vermelha, pensou ele, se visse isto... Começaria a tossir, fingiria morrer, para escapar ao ridículo. E eu então teria que fingir que cuidava dela; porque senão, só para me humilhar, ela era bem capaz de morrer de verdade... ».

Depois, refletiu ainda: "Eu me julgava rico de uma flor sem igual, e é apenas uma rosa comum que eu possuo. Uma rosa e três vulcões que me dão pelo joelho, um dos quais extinto para sempre. Isso não faz de mim um príncipe muito grande...". E, deitado na relva, ele chorou.

(...)

sexta-feira, 3 de julho de 2009

Too high, can't come down

Eu gosto de tudo que é livre
tudo que é belo
e igualmente moderno

Eu sou cosmopolita
fujo do excesso
da grossura
e principalmente da rotina

Façamos tudo com amor
até mesmo o sexo
que anima relações
entre relações sem nexo

Vejamos tudo sem dor
gostamos de tudo que é belo
e eu viverei feito sonhador
fazendo tudo que te mantém por perto

É...
a vida tem mais é que ser foda...

quarta-feira, 1 de julho de 2009

Fuckin' past

Amor… dizem que o amor não se descreve, se sente… na mais perigosa das montanhas-russas que alguém pode encarar, aquela que te leva ao céu e em seguida tomba, causando alegrias e dores incomparáveis.

Mas quero fazer o sentido contrário agora, cansada de tanto sentir, quero só pensar… justamente um dos objetivos que estabeleci para a minha vida, pensar, e pensar cada vez mais… pensar direito… Penso o amor, e o que me vem à cabeça num primeiro instante é certa noite, em que o amor com certeza evaporou pelos meus poros, atingindo um nível de materialização quase tocável.

Talvez o meu primeiro erro tenha sido abrir a porta poucas horas depois, ao invés de permanecer ali trancada, eu e o meu amor… talvez teria sido melhor ficar ali deitada, abraçada, evaporando… definhar até morrer de fome, ir secando aos poucos, sentir dor e quanto maior ela ficar, mais apertar o abraço, até perder a consciência… Desmaiar em pleno óbito, e deixar a rigidez cadavérica tomar o corpo horas depois, tornando o abraço interminável… que encontrassem o meu corpo depois, meu e do meu amor…
Num segundo instante, me vem o amor platônico… nas suas duas concepções: a errada, materializada nos meus últimos dois anos e seis meses, e a correta… Errada porque esse amor platônico ao qual sempre estamos nos referindo, não passa de uma má interpretação… onde o amor não é uma idealização, mas uma realidade essencial, onde o amante busca no amado a verdade, a única que não possui.

E encontrando esse amor, supre a sua falta, se torna pleno, e torna o outro pleno… ama por amar, quer o bem por querer, e é inteiro por ser… Nisso eu encontro o que foi talvez o meu segundo erro… naquela noite em que o meu amor se condensou numa nuvem que inundou o quarto, deveria ter guardado parte dele num pote, e tomar dele um trago a cada dia, e viver cada dia inteira, abrindo o peito ao mundo, certa do que sou e do que fui, certa de que amo e de que sou, eu e o meu amor…

Enjoy the silence

tu était tout que j'aimais
avec toi, j'avais tout que je crois
tu était mon bouquet plein des fleurs
et tu était l'aorte de mon coeur

tu était le tabac de ma pipe
avec toi mon inver était un tropique
tu était le ciel devant ma terre
et tu était la main de ma caresse

tu était la belle de ma bête
tu es la tristesse du poète
sans toi, je perds ma tête
tu était, je suis sûr, mon sexe...

tu était le gout de mon vin
tu était l'herbe de mon joint
tu était le plaisir de mon soupir
et les éclats de mon rire

sans toi mon sage se tombe fou
tu était, de mon très peu, le beaucoup
tu était le jamais de mon toujours
et tu était mon amour, je suis sûr...

terça-feira, 30 de junho de 2009

Sem título

De manhã acordava nalguma festança
acordava e lembrava que cai na gabança
e por toda a noite, com clamor
tinha a companhia de uma bela flor.

Eram jovens e firmes e em vinho imersas
Fanfarronices e conversas
se resumiam, eu me mantinha seguro e calmo
No leito me deixava pelo instinto ser guiado

Sorria e olhava aqueles corpos em volta
e dormia ainda com o copo cheio em mão
Gritava: Cada um à sua moda!

Mas há uma só na região,
que se iguale àquela que não pode ser minha?
Que chegue aos pés daquela que é a minha vida?

"Bohemia! Comida! Digam sim à razão!"
gritavam todos, sem razão, em torno,
"Do sexo inteiro, quero ser teu adorno"
gritava aquele menos gabão

Mas se aqui continuar vou endoidar, eu juro!
Dar com a cabeça contra um muro!
Sem moças ou putas, não quero essa troça
quero algo que me valha

não serei insultado por qualquer canalha
pois aquela sim é uma mulher de respeito.
Aquela assim faz tremer o meu peito!
Que morra esse bando todo
não agüento mais viver entre o lodo...

Werther

Cada uma de suas palavras penetrava-me no coração como uma punhalada. Ela não sentiu que, ao menos por piedade, devia calar tudo aquilo, e continuou a explicar como ainda glosam o incidente, como certas pessoas se mostram triunfantes, como há quem malignamente se rejubile por me ver punido pela atitude presumida e desdenhosa que há muito me viham censurado. Ó Wilhem, ouvir tudo isso daquela bôca e no tom da mais sincera simpatia!... Fiquei transtornado e mantenho ainda o coração cheio de ódio. Queria que alguém ousasse repetir-me tudo isso para atravessar-lhe a minha espada de lado a lado, porque só o sangue poderá acalmar-me. Oh! cem vezes já peguei o punhal para livrar meu coração do peso que o esmaga. Conta-se que há uma briosa espécie de cavalos que, perseguidos, quando se vêem demasiadamente excitados têm o instinto de abrir uma veia com os dentes para não rebentarem sufocados. Sinto às vezes vontade de fazer o mesmo: abrir uma veia e conquistar assim, para sempre, a liberdade.

Nossa imaginação, levada pela sua própria natureza a exaltar-se, e, ainda, excitada pelas figuras quiméricas que lhe oferece a poesia, dá corpo a uma escala de seres onde ocupamos sempre um lugar ínfimo. Tudo quanto se acha fora de nós parece mais belo, e todos os homens mais perfeitos do que nós. E isto é natural porque sentimos demasiado as nossas imperfeições e os outros sempre parecem possuir precisamente aquilo que nos falta. Em conseqüência, nós lhes acrescentamos tudo quanto está em nós mesmos e, para coroar a obra, concedemos-lhes também certa facilidade miraculosa que exclui toda idéia de esforço. E eis esse bem-aventurado mortal convertido num conjunto de perfeições por nós mesmos criadas.

domingo, 28 de junho de 2009

Hell is around the corner

Não torne o sentido motivo de Idolatria,
Não o chame de Ídolo, pois a ninguém se alia.
Este é o grito que hoje proclamo,
A favor de tudo aquilo que amo.

Não deixe o sentido ao teu lado galante,
Esse é válido somente aos pedantes.
Sua ausência não me faz diferença...
Pelo contrário, prossigo com excelência...

Procuro o surreal em tudo aquilo que primo,
E de uma só maneira, abro os olhos, concentro...
Se o encontro, "catarse", eis o que exprimo.

Perco os sentidos, acelero o movimento...
Se foi forjando o meu sentido outrora,
Prefiro viver a loucura agora.

Stitches...

Como me têm sido caras as noites posteriores ao seu encontro. Acabei de ler Wherter e ao que tudo indica não vou ser capaz de dormir tão cedo… Enquanto essa cidade morre, me mantenho aparentemente calma, esperando que nuvens envolvam a lua e todas as estrelas se apaguem…

É horrível essa sensação de que cada raio me guia a todas as direções dessa cidade morta, a vontade que tenho de morrer de frio perto do lago, me sentindo atriz principal de um filme clichê… E a vontade que eu tenho de volta a fumar aquele mesmo cigarro que fumei do seu lado naquela tarde, na mesma tarde, na mesma hora, na mesma felicidade. Explosões hormonais, talvez, mas nada que não se confunda com um sentimento de plenitude na alma. A vontade que eu tenho de ir para qualquer lugar e ouvir a água rumorosa e afogada na própria água.

Essa porra de utopia e oceano mental…

Até a cidade morta parece harmoniosa agora, me produzindo a débil voz do perpassar dos carros, nem mesmo o vento urge agora. Esse luto todo da cidade será por que você dorme agora? Você dorme agora? Que durma, que não se preocupe com a dor que me faz gastar reticências…………. reticências que esperam a manhã, para esperar amanhã, e outro amanhã, e todas as manhãs necessárias para te esquecer, até que eu atinja a grande utopia da minha vida: aquele chocolate quente, música, a noite chuvosa, fria ou não. Contanto que eu me tenha todos os dias e esqueça de todas as tardes dormidas na sua cama.

Mais estranha e mais cara que essa noite de pseudo-insônia é a maneira que minha vida se desfaz como um sonho, bastam cinco minutos para que me perca e esqueça o que faço coma caneta na mão. Posso regressar dessa morte viva?

Talvez, quando a noite estiver perto do fim, e o vento voltar a perpassar na cidade junto aos carros… se eu não estiver ainda chorando a morte daquela tarde, fazendo os que moram ao meu lado temer e amar a minha voz, pois há de ser doce chorando o seu nome…

Um dia eu canso de sentir essa saudade dolorosa que cansa, e ainda agita por não ser passível de asfixia num abraço.

Só me resta a nostalgia de um abraço que extinguiu o mundo, a ponta de um cigarro, e a memória do afago…

sexta-feira, 26 de junho de 2009

Lasciate ogni speranza voi ch'entrate...

Aqui a asa não sai do casulo, o azul
não sai da treva, a terra
não semeia, o sêmen
não sai do escroto, o esgoto
não corre, não jorra
a fonte, a ponte
devolve ao mesmo lado, o galo
cala, não canta a sereia, a ave
não gorjeia, o joio
devora o trigo, o verbo envenena
o mito, o vento
não acena o lenço, o tempo
não passa mais, adia,
a paz entendia, pára
o mar, sem maremoto,
como uma foto, a vida,
sem saída, aqui,
se apaga a lua, acaba e continua.


Arnaldo Antunes

Algum sentido? Todos...

Sensatez

(para Sofia)

Se eu fosse sóbria e séria, se sensata,
Do amor, tomava um trago a cada dia,
Com calma, em paz, em cálida alegria,
Se eu fosse sóbria, sim,
Isso eu faria.

Seu fosse sóbria e séria, se sensata,
Do cultos a verdade aceitaria,
Um bom pastor, não
Deus pra ser meu guia,
Se eu fosse sábia, sim,
Eu buscaria.

Seu fosse sóbria e séria, se sensata,
Casada e gorda, comportada e fria.
Um mundo bom, o amor de uma família,
Se eu fosse séria, sim,
Eu já teria.

Mas a paixão não quer a sobriedade,
Nem seriedade sabe o coração,
E quem busca o calor da divindade
Não se consola com religião.

E não sou sóbria e séria e nem sensata,
Eu meço a hipocrisia dos contentes
E ao justo criador nada mais peço
Que a luz do Sol, pra me afiar os dentes.

Patricia Clemente

terça-feira, 23 de junho de 2009

R.I.P.

“Vês! Ninguém assistiu ao formidável
Enterro de tua última quimera ???”
Não… e somente a ingratidão – esta pantera –
Foi a minha companheira inseparável!

Somente a ingratidão, perdida em prantos
Confusa pelo espanto
Que foi descobrir tua face…

Por cima do véu, a promessa de um sorriso
O futuro manso, quem sabe um filho
E o peito aberto a quem quer que passe…

Abaixo, inferno…
Ódio, choro, alguns cortes, traição
E a clichê desilusão…

………….. poderia ter sido o único
………….. buscou o mais fácil
………….. me deixou de lado

Em troca de um beijo? Quem sabe um abraço…
Que não tem a metade da força do meu braço

Força… coragem… é um teste? Uma prova?
Não vou chorar nem mais uma hora!
Pois eu te amei até não poder mais
Mas hoje, eu me amo…
Muito mais…

segunda-feira, 15 de junho de 2009

Soneto 116

De almas sinceras a união sincera
Nada há que impeça: amor não é amor
Se quando encontra obstáculos se altera,
Ou se vacila ao mínimo temor.

Amor é um marco eterno, dominante,
Que encara a tempestade com bravura;
É astro que norteia a vela errante,
Cujo valor se ignora, lá na altura.

Amor não teme o tempo, muito embora
Seu alfange não poupe a mocidade;
Amor não se transforma de hora em hora,

Antes se afirma para a eternidade.
Se isso é falso, e que é falso alguém provou,
Eu não sou poeta, e ninguém nunca amou.

sábado, 13 de junho de 2009

Mãos ao alto!

- Amaaanda! O meu pé tá todo nojento! Todo cheio de lamaaa!!
- Passa a bolsa! Passa a bolsa!
- Saaai!
- Eu vou te bater!

1º golpe, seco, duro, na perna.

-Páraa!

2º golpe, mira na cabeça, acerta o ombro.

Bolsa na lama, sapato na mão, orgulho no chão.
Corre...

quinta-feira, 11 de junho de 2009

Platinum

Não importa a atividade física feita a 119 batimentos cardíacos por minuto, gastando 60% da freqüência máxima que meu coração poderia agüentar, tanto faz se eu passo horas em excessivos abdominais ou lavando a roupa que eu sempre deixo acumular... não me interessa nada, não me importa nada, por mais que eu deitena cama esse maldito sono não vem...
Ainda não me venci pelo cansaço e a longa caminhada de insônia que eu tenho pela frente só me faz deixar mais e mais pensativa, mais e mais poética, e mais e mais cansativa... tanto quanto "sacal" seria estar ao meu lado (no seu caso) mais seria feliz para mim, será?


Embriaguez, paixão e loucura.... e ainda há aquele que se conserva tão calmo, tão indiferente, aqueles, os homens de moral que esmurram o bêbado, repelem o louco cheios de asco, e passam adiante, como o sacrificador, agradecendo a Deus por não haver feito deles um desses desgraçados...

Desgraçada poderia ser eu que tenho me embriagado mais de uma vez, entre paixão roçando sempre pela loucura, seria eu, mas disso não me arrependo porque só assim chego a compreender (numa certa medida) a razão porque em todos os tempos sempre foram tratados como ébrios e loucos os homens extraordinários que realizaram grandes feitos, os que pareciam impossíveis, os grandes homens que amaram demais e conseguiram sobreviver... todos aqueles são os verdadeiros insensatos pois vivem num jejum forçado e louco de não morrer por amar e viver amando uma entidade que não existe!


Mas também louca sou eu, e injusta também... grande injustiça tenho feito todos os dias, com todos aqueles que me amam e me amaram, absolutamente nenhuma das juras feitas para mim me servem de alguma coisa agora! Absolutamente não amo mais a minha própriamãe na mesma medida (ainda que a considere com tamanho respeito que não demonstro e aquela ponta de gratidão que sempre me falha à memória pelos grandes atos feitos e não feitos dela para mim), grande ingratidão com meus mais verdadeiros amigos, grande ingratidão comigo...


Porque eu não fico mais quieta, mais acanhada, mais cabeça baixa? Naquele canto tal quentinho e seco perto da janela do meu quarto, eu preciso escrever! Eu preciso extravazar em caracteres frígidos todo o misto de indolência e agitação que me faz perder o maldito sono numa Quinta ou num Domingo à meia-noite e meia........(hora que tudo de ruim toma conta da cidade naqueles filmes antigos de horror, mas hora que toda a inspiração incha as minhas veias numa maldita poesia tão desgastada quanto ignorada)


Louca, embriagada e ainda poderia ser desgraçada, se por mais um instante minhas falcudades mentais perdessem o equilíbrio além daquilo que eu possa suportar...

Se me deito não tenho sono, não posso ficar desocupada e no entanto nada posso fazer, não tenho mais imaginação e os livros só me inspiram tédio... tudo me falta quando estou em falta comigo mesma...

Mas voltado à injustiça, se me permite maiores explicações, é uma grande injustiça já não amar outros na mesma medida porque todas as minhas atenções eram voltadas a você! É aí que está, é me despertar dos sonhos importunos sem perspectivas da merda de dia que eu vou ter, quando entediada eu acordo estirada sobre a minha cama te procurando, na inocente ilusão de que você estava ao meu lado, eu ainda mal acordo e te procuro tateando, até que tudo me cai e arregalo completamente os olhos à realidade, engulo a torrente de lágrimas e nos dias que sofro com pesadelos ou medo do escuro simplesmente choro contemplando cheia de amargura o dia que me aguarda......................


Injustiça a minha pobre mãe que por tanto me amar como eu era, sente raiva quando eu peço o mundo ao invés dela ... injustiça aos meus amigos que dizem me adorar, que sempre me prometem apoio no meio da madrugada, quando eu acordo em pesadelo eu penso em ligar pra você (!) mas nunca ligo, porque injustiça maior seria te acordar, porque injustiça maior ainda é pensar em dizer que te amo mais do que amo a própria vida quando eu mesma acredito que a minha vida não vale nada!


Injustiça ao mundo que me oferece condições de viver, quando eu só aceitei se tivesse a condição de viver ao seu lado..... esqueço as grandes e raras calamidades deste mundo, nada me comove, o que me dilacera o coração é essa força que está oculta em toda a natureza....


Prossigo vacilante na opressão, entre o céu e a terra com as suas forças sempre ativas... prossigo depois que um véu rasgou-se diante de minha alma e o teatro da vida infinita mudou-se, mas não num túmulo eternamente escancarado, vejo todas as forças dilacerantes com mais avidez e paradoxalmente, mais beleza ainda...


Tanto quanto se torna belo tudo aquilo que refletiu nos seus olhos quanto belos já são, servindo ou não de espelho para a minha alma ou passagem direta para a sua... "morro ante os deuses tão cedo quanto morro"... Perdoe-me as palavras um tanto quanto forçadas pra dizer a expressão mais simples, mais desgastada e menos acreditada que peita todas as forças da natureza ocultas ou não, ativas ou não.... tudo se resume àquilo sintetizado em dois pronomes e um verbo conjugado (como se a estrutura em si fosse tão simples assim).......

E foi tanto tanto tanto....

Eu te amei, eu bebi e me calei...

Remember how it was with you...

Agora sou pó, perdido nessa estante
Que alta parede é essa que me restringe?
E este tal sentimento sufocante
procurando aquele que nunca me cinge?

Como posso saber o que me falta?
Como posso saber que, talvez,
ele esteja no meio da humana malta?
Imagino-o uma ou outra vez

Mas é sempre assim!
Por que sempre ris?

Caveira oca! Foi mais esperta outrora,
agora, sedenta de saudade, é carente, infeliz.
Sempre procuro luz na penumbra afora,
parece que de mim escarneceis...

Como pude, assim, entregar-te a chave?
Como pude me deixar esculpir por teus cinzéis?
Por favor, não removeis nenhum entrave

A minha natureza, jamais arrancas
Ou em pouco tempo serei entulho velho, usado
E tudo que digo são apenas dores humanas...

Será que irei dizer, certa vez me usou?
Será que um dia serei corpo ofuscado?
Não sou nada além de um cigarro que apagou
Mas afinal, o que não se usa é um fardo, nada mais

Adquire, para que me possuas.
Esse fardo, afogado em dor e paz
No fundo o que sentes, são só criações suas...

domingo, 7 de junho de 2009

Sleep tight tiger

Insônia… mais uma vez me acompanha… Já estou até começando a gostar dela, pelo menos eu sei que, quando deitar na cama, terei companhia… E, especialmente nessa insônia de hoje, parei para me fazer a seguinte pergunta: “Eu estou seguindo a vida do jeito que quero?”. A resposta é fácil vai… logicamente não. Depois me perguntei: “Eu sou feliz?”. Essa sim é uma questão difícil… eu sou feliz?

Às vezes quando eu fico diante desse problema, eu me consolo afirmando que a felicidade não é “ser”, mas “estar”. Então tenho menos peso na consciência ao responder “não, não estou feliz”. Mas eu conheço a felicidade, já esbarrei com ela várias vezes, já cheguei a caminhar com ela, de mãos dadas, como melhores amigas, achando que ela nunca me trairia… Já conheci um mundo pintado de cor-de-rosa e já distribuí sorrisos sinceros. Mas não é diante dela que estou agora…

Estou ante um mundo que eu nunca conheci antes, estou vivendo em um corpo que eu nunca conheci antes. Percebi o tanto que me deixei levar pela matéria, e o tanto que joguei fora da minha mente. Há quanto tempo eu não me olhava por dentro… Deixei escapar tanta coisa, a poesia, os meus desenhos e agora o meu coração (por mais que isso soe brega… foda-se o brega… não estou preocupada com ele). Deixei escapar a menina que eu era, a adolescente revoltada/revolucionária, para me tornar isso?

Percebi que agora eu sou a cópia fajuta de um adulto típico, daqueles que você pergunta “Você é feliz?” e ganha como resposta um “Eu estabeleci objetivos e alcancei todos”, como se isso respondesse alguma coisa… Eu estou andando pelo caminho certo, sei disso, sei que não é errado estudar em dois cursos, muito menos prestar concursos… mas eu deixei o principal de lado, e agora estou vendo o tanto que isso me faz falta, abandonei a minha paz de espírito. Esqueci que preciso me deixar voar e sonhar, e que a única coisa que falta é perder o medo, achando que vou cair a qualquer hora, mesmo sendo um sonho, onde eu tenho asas e conheço o céu melhor do que ninguém…

Eu não vou cair nos meus sonhos e é por isso que eu preciso deles, para quando levar um tapa na cara, desses que a vida adora dar, ter força para saber que em algum lugar eu estou voando e estou sorrindo.