sexta-feira, 30 de outubro de 2009

Oh well, whatever, nevermind

Longo deveria ser o abraço,
tão grande quanto a força do próprio braço...
e esses dois deveriam se igualar ao peso da saudade...

Saudade é vida de beira de abismo, sabendo que existe sim alguém do seu lado, mas por alguma razão, a distância é intransponível...

quinta-feira, 29 de outubro de 2009

Tourne

Não tenho dúvida... sou viciada... eu e a torcida do flamengo...

Meu primeiro vício provavelmente foi o leite materno... aposto o meu irmão que eu ficava chorando o dia inteiro querendo mais. E como todo psicólogo mais ortodoxo diria... parei na fase oral... não, não é o momento de pensar em duplos sentidos...

Descobri o cigarro! E as portas para uma vida social totalmente nova, no grupo dos "descolados" da escola, aquela coisa meio James Dean no portão de entrada... calça jeans, coturno, cara de má e o cigarro no canto da boca. Até algum tempo atrás pensei se tratar de um vício charmoso... hoje em dia é só vício. E o interessante é que todos os meus vícios foram adquiridos na adolescência. Inclusive o primeiro gole de álcool, ruim que só... mas muito engraçado quando foi somado a outros 20 goles...

Descobri o vício do "gostar" de alguém... já que "amor" e "paixão" eram termos muito fortes pra época. Gostar é diferente, poucos conseguem sentir isso depois dos 20... a sensação de insegurança sem o menor fundamento e as tais das borboletas no estômago voando histericamente. Gostar também é um vício, mas essa é uma droga rara. Acho que chega a ter mais heroína no Brasil inclusive...

Depois começam os vícios pesados... a preocupação com o dinheiro, especialmente quando você um estudante/recém-adulto desempregado... e por fim, o mais punk de todos... o amor é claro... E sem esse, eu não vivo nunca, tenho certeza...

sábado, 24 de outubro de 2009

The lights are on but there's no one home

Não que o mundo tenha mudado tanto quanto ele girou nas últimas décadas, mas é de se crer que alguma diferença surgiu no que diz respeito à isonomia de gêneros... isso é que eu quero pensar... No entanto, pensar dessa forma é cada vez mais difícil quando sou obrigada a me deparar com um livro chamado "Descubra sua vaca interior - Manual da mulher poderosa" entre as prateleiras da Saraiva.

Embasbacada com o título (afinal de contas, nunca pensei em descobrir o ruminante dentro de mim), vejo que o pior ainda está por vir: o livro é um manual de como ser independente e dar a cara à tapa com suas opiniões próprias.

Quer dizer que se sou auto-suficiente e falo o que é penso... eu sou uma vaca??? Eu achava que já havíamos pulado essa parte não? E os anos 70? A criação do Conselho dos Direitos da Mulher? O tal do sufrágio universal?

Elizabeth Hilts (autora do livro) é mais uma peça dessa quebra-cabeça maluco que é o Ocidente... e o qual não faz o menor sentido! Há 24 horas pensava sobre a imposição midiática da castidade nos jovens de 14 a 25 anos (pasme!) e cruzo com esse livro. Afinal, o que esperam que sejamos??? Vivo no país do carnaval, entre anéis de castidade e manuais da cretinice! Vivo num mundo onde as mulheres ou têm curvas ou têm neurônios, combinadas com a capacidade de ganhar um horário televisivo dependendo da excelência do, perdoem-me, boquete.... Estudo em faculdades rodeada por moças de família, tão fofinhas quanto necessariamente virgens...

E o best-seller do ano de 2005 foi escrito por uma prostituta!

Alguém encontra o sentido e me fala qual é por favor?

Obs: "vaca" foi a tradução brasileira para o termo "bitch", mas notem que ele também pode ser substituído por cadela, cachorra ou puta... como quiser...

quinta-feira, 22 de outubro de 2009

Who will comfort me?

Não aprendemos nada com os nossos pais, muito pelo contrário, parece que somos cada vez mais inspirados pelos nossos avós! Já comentei com uma série de pessoas o seguinte fato presenciado por mim, mas conto novamente:
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Lá estava eu feliz e contente numa aula prática de processo penal, quando não pude deixar de ouvir a conversa entre duas jovens mulheres sentadas ao meu lado...
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- Sabe... eu chorei tanto, mas tanto, mas tanto quando ele me disse que não ia... Mas não mostrei que estava triste, e pisei nele amiga...
- Ah bem feito amiga! - disse a outra empolgadíssima com a pena que o sujeito sofria por sabe-se lá qual pecado.
- E aí a gente conversou... mas quando fez as pazes... sabe... ele mó veio com segundas intenções!!
- Como assim amiga?
- Sabe... o assunto veio parar de novo no...sshhcso... - sendo essa última palavra absurdamente baixa...
- No que amiga??
- No seexo amiga!!
- Ele ainda insiste nisso??? Amigaaa... ele não te respeita meeesmo!! - e as duas ficaram se olhando embasbacadas com tamanha brutalidade... afinal de contas... como um ser humano de 21 anos de idade tem a coragem de assumir que tem vontade de dar umazinha???
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E nisso o meu cérebro deu TILT...O assunto todo me veio à cabeça quando conversava com uma grande amiga ontem, que me contava uma situação semelhante na sua aula de psicologia. A cena é a mesma: duas jovens (pelos seus 22, 23 anos) conversavam e riam baixinho, até que outra pergunta sussurrando "você é virgem?"
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Outro cérebro pifa... A questão aqui não é ser ou não ser virgem... Até mesmo porque com 20 anos na cara, ter esse tipo de "debate cabeça" seria mais sem noção que a própria crítica. A questão é que em pleno século XXI, após vários sufrágios forjados ou não, após uma contínua luta pela isonomia de gêneros, após a queima de sutiãs e mulheres em fábricas... sexo é um imenso tabu. E não falo só de bizarrices e fetiches. O simples ato de transar por prazer é um tabu! Aliás "transar" é um termo tabu, e deus sabe lá quantos outros tabus temos por aí...
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E no final de tudo... os ídolos da nossa juventude usam um anel símbolo de castidade.

quarta-feira, 21 de outubro de 2009

Forgot about my love

Em pleno século XXI, os relógios ganharam a capacidade de tornar 24 horas um espaço de tempo muito curto. E ganhamos a excelente capacidade de viver sob pressão... A clássica pressão da classe média, aquela que todo mundo conhece: preocupada com a violência mas nem tanto, ganhando dinheiro, mas nem tanto, e relaxando num pacote CVC tri-anual.

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E como não podia ser diferente, cria medianamente classisista, sou um ser pressionado por natureza... E num surto de reflexão, gastei alguns minutos do meu curto dia para pensar no assunto.

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O mais bizarro dessa história toda foi que a minha primeira pressão foi a pressão estética... Um processo maluco capaz de atingir uma menina de 04 anos de idade infeliz com os olhos castanhos e inconformada com a própria "feiúra", com a magreza e os cachos formados nas pontas do cabelo.

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Veio então o conformismo, se não conquistava de um jeito, conquistaria de outro. E nisso fagocitei o conceito "feia e nerd", só faltou o aparelho nos dentes... A pressão estética continuou e somou-se à pressão de gabaritar provas...

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O mundo não parou por aí, muito menos a paranóia, era preciso ganhar cultura... Ao menos essa foi uma pressão da qual não me arrependo. Não me arrependo mesmo... Dostoievski, Zola, Pessoa e Saramago tornaram-se nomes conhecidos que, dentre vários outros, tomei como parte essencial na minha vida, e até mesmo uma futura profissão...

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E assim eu sigo... cambaleante entre uma pressão e outra, lutando para vencer a pressão de ser bonita, bem sucedida (para dizer um eufemismo de rica), culta, amada, simpática, malhada e todos esses absurdos que tomamos como essenciais para nossas vidas... Todos os supérfluos que juntos formam o nosso hino, formam a nossa nação desesperada, classicista e hipocritamente moralista...

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E assim eu me formo, assim eu me guio...

quarta-feira, 14 de outubro de 2009

Para aquele que procura a vida na "vida"

La Tibre seul, qui vers la mer s'enfuit
Reste de Rome. O mondaine inconstance!
Ce qui est ferme, est par le temps détruit
Et ce qui fuit, au temps fait resistance

A Roma de Roma é apenas o seu nome... como a vida da vida é apenas abstração. São idéias formadas no nosso imaginário ocidental, imaginário esse que nos faz voar, quando realmente mantemos os nossos pés bem presos ao chão...

A Roma que agora existe são ruínas, fragmentos e pó, próximos ao que um dia foram os seus inimigos. Como a nossa vida é também o mais próximo da morte que teremos e temos a cada instante... a cada célula que morre por segundo... cada grupo de células... o problema vem quando todas as nossas células decidem morrer no mesmo instante. Aí trocamos o verbo por eufemismos: nossas células "partem", vão "dessa para melhor", ou até mesmo "viajam subtamente para a Califórnia".

E com medo corremos... corremos feito loucos... mas corremos do modo mais imbecil de correr... corremos para a "segurança" de quatro paredes, corremos para o mais próximo de um útero que conseguimos encontrar. E esquecemos que as ruínas de Roma são justamente as suas paredes, os seus fortes, a sua segurança... Justamente o que foi construído para se manter monumental por séculos é o primeiro alvo de um ataque...

Esquecemos que a única lembrança viva, de fato viva, é o Tibre de Roma... Aquele que verdadeiramente correu, corre, flui e vive... É justamente do inconstante que se faz a vida... o que é fechado, é pelo tempo destruído, e o que flui, ao tempo resiste...

Caso contrário, as nossas células se tornam ruínas... as nossas vidas... tornam-se nomes... tornam-se Roma...

sexta-feira, 9 de outubro de 2009

Half smile on the outside

Love is an ocean in your bedroom
Can make you feel warm until you're not
Until someone else refuse you
Until you beg for more
And the other lover don't
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It can make the snow fall
And be your first rehab
Until you think you know it all
And search for a running cab
.
Love will be your first bloodstain
When your hair no longer stand
Up on someone else's hand
Then you'll belive you're not the same
Until you feel your blood again
Once more, rolling in your veins
.
You'll love again like you never did
And kiss like you never kissed
And belive that you're unique
...
Until you're not

Don't forget me

Vivi sempre buscando uma certa harmonia, querendo um mar calmo depois da tempestade. E sempre vivi achando que chovia torrencialmente... quando, na verdade, eu sempre queria mais e mais tempestades, e ainda quero, é assim que sinto a vida. E vivi sempre esperando, acreditando que o amanhã seria melhor... e agora percebo, um amanhã melhor é um amanhã patético...

Gosto de sentir paixão em tudo, justamente por isso busco a loucura... não querendo admití-la, negando esse vício... mas sempre agindo para que ela apareça. Vejo enfim que vivi uma vida fantástica... vivi, bebi e conheci pessoas fantásticas... e todas fizeram a rotina valer a pena, por mais inexistente que seja a minha rotina.... Procuro ser impulsiva, até quando as pernas tremem com medo do desconhecido... e não me arrependo... Absolutamente não me arrependo... e é assim, cambaleando, que estou me conhecendo.

Sempre acreditei também que eu era o resultado de um "eu" e mais alguém. E culpei esses vários "alguéns" pela minha falta de personalidade, uma vez que o outro sempre ia embora e era rapidamente substituído por um novo perfume. Mas, por hoje, não culpo... sou justamente isso: eu e mais alguém... E vou inundar os meus sentidos com os sentidos dos outros, vendo que cada personagem da minha vida é essencial, é parte de um livro único, que quero escrever com cada vez menos sentido. E quero ter taquicardia sempre que escuto uma música no rádio, lembrando de alguém... Quero andar na rua e ver um sorriso conhecido, que completa o meu... um abraço extendendo o comprimento do meu braço, e um outro corpo sempre aumentando o meu tamanho... E isso vale para todos que entrarem na minha vida... longe da uma interpretação meramente romântica... não me completo apenas romanticamente, busco mais, em relações universais...

Quero me completar com o sorriso de quem me vende um café, com um olhar disfarçado em uma sala de aula, e prencipalmente com a companhia dos amigos... Hoje, no meio de uma insônia, amo a vida como nunca, amo todos que passaram e passam pela minha vida como nunca também, e crio expectativas em nome do mundo todo... Tenho fé em 6,6 bilhões de pessoas, tão únicas quanto podem ser... Acredito que a vida seja sim essa loucura, e por ela eu vou lutar, cada vez mais, com toda a minha força, até a minha força se esgotar.

segunda-feira, 5 de outubro de 2009

Maré de azar?

Acho que já deu a minha cota de "azar" do ano... agora é só alegria! =D