Em pleno século XXI, os relógios ganharam a capacidade de tornar 24 horas um espaço de tempo muito curto. E ganhamos a excelente capacidade de viver sob pressão... A clássica pressão da classe média, aquela que todo mundo conhece: preocupada com a violência mas nem tanto, ganhando dinheiro, mas nem tanto, e relaxando num pacote CVC tri-anual.
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E como não podia ser diferente, cria medianamente classisista, sou um ser pressionado por natureza... E num surto de reflexão, gastei alguns minutos do meu curto dia para pensar no assunto.
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O mais bizarro dessa história toda foi que a minha primeira pressão foi a pressão estética... Um processo maluco capaz de atingir uma menina de 04 anos de idade infeliz com os olhos castanhos e inconformada com a própria "feiúra", com a magreza e os cachos formados nas pontas do cabelo.
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Veio então o conformismo, se não conquistava de um jeito, conquistaria de outro. E nisso fagocitei o conceito "feia e nerd", só faltou o aparelho nos dentes... A pressão estética continuou e somou-se à pressão de gabaritar provas...
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O mundo não parou por aí, muito menos a paranóia, era preciso ganhar cultura... Ao menos essa foi uma pressão da qual não me arrependo. Não me arrependo mesmo... Dostoievski, Zola, Pessoa e Saramago tornaram-se nomes conhecidos que, dentre vários outros, tomei como parte essencial na minha vida, e até mesmo uma futura profissão...
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E assim eu sigo... cambaleante entre uma pressão e outra, lutando para vencer a pressão de ser bonita, bem sucedida (para dizer um eufemismo de rica), culta, amada, simpática, malhada e todos esses absurdos que tomamos como essenciais para nossas vidas... Todos os supérfluos que juntos formam o nosso hino, formam a nossa nação desesperada, classicista e hipocritamente moralista...
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E assim eu me formo, assim eu me guio...