quarta-feira, 14 de outubro de 2009

Para aquele que procura a vida na "vida"

La Tibre seul, qui vers la mer s'enfuit
Reste de Rome. O mondaine inconstance!
Ce qui est ferme, est par le temps détruit
Et ce qui fuit, au temps fait resistance

A Roma de Roma é apenas o seu nome... como a vida da vida é apenas abstração. São idéias formadas no nosso imaginário ocidental, imaginário esse que nos faz voar, quando realmente mantemos os nossos pés bem presos ao chão...

A Roma que agora existe são ruínas, fragmentos e pó, próximos ao que um dia foram os seus inimigos. Como a nossa vida é também o mais próximo da morte que teremos e temos a cada instante... a cada célula que morre por segundo... cada grupo de células... o problema vem quando todas as nossas células decidem morrer no mesmo instante. Aí trocamos o verbo por eufemismos: nossas células "partem", vão "dessa para melhor", ou até mesmo "viajam subtamente para a Califórnia".

E com medo corremos... corremos feito loucos... mas corremos do modo mais imbecil de correr... corremos para a "segurança" de quatro paredes, corremos para o mais próximo de um útero que conseguimos encontrar. E esquecemos que as ruínas de Roma são justamente as suas paredes, os seus fortes, a sua segurança... Justamente o que foi construído para se manter monumental por séculos é o primeiro alvo de um ataque...

Esquecemos que a única lembrança viva, de fato viva, é o Tibre de Roma... Aquele que verdadeiramente correu, corre, flui e vive... É justamente do inconstante que se faz a vida... o que é fechado, é pelo tempo destruído, e o que flui, ao tempo resiste...

Caso contrário, as nossas células se tornam ruínas... as nossas vidas... tornam-se nomes... tornam-se Roma...

3 comentários :

  1. Unknown disse...
    Este comentário foi removido pelo autor.
  2. Unknown disse...

    I'm "delighted"

  3. thiaguinho de mamãe disse...

    Gostei muito desse blog!
    =*