segunda-feira, 28 de setembro de 2009

Assinado Eu

Já faz um tempo
Que eu queria te escrever um som
Passado o passado,
Acho que eu mesma esqueci o tom
Mas sinto que
Eu te devo sempre alguma explicação.
Parece inaceitável a minha decisão.
Eu sei.
.
Da primeira vez,

Quem sugeriu,
Eu sei, eu sei, fui eu.
.
Da segunda

Quem fingiu que não estava ali,
Também fui eu.
Mas em toda a história,
É nossa obrigação saber seguir em frente,
Seja lá qual direção.
Eu sei.
.
Tanta afinidade assim, eu sei que só pode ser bom.

Mas se é contrário,
É ruim, pesado
E eu não acho bom.
Eu fico esperando o dia que você
Me aceite como amiga,
Ainda vou te convencer.
Eu sei.

.
E te peço,

Me perdoa,
Me desculpa que eu não fui sua namorada,
Pois fiquei atordoada,
Faltou o ar...
.
Me despeço dessa história

E concluo: a gente segue a direção
Que o nosso próprio coração mandar,
E foi pra lá, e foi pra lá, e foi pra lá...
.
.
. . . Ass: Tiê

domingo, 27 de setembro de 2009

Pessoa

Quem me dera eu fosse o pó da estrada
E que os pés dos pobres me estivessem pisando...
Quem me dera eu fosse os rios que correm
E que as lavadeiras estivessem à minha beira...
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Quem me dera eu fosse os choupos à margem do rio
E tivesse só o céu por cima e a água por baixo...
Quem me dera eu fosse o burro do moleiro
E que ele me batesse e me estimasse...
.
Antes isso que ser o que atravessa a vida
Olhando para trás de si e tendo pena...

quinta-feira, 24 de setembro de 2009

I won't go... I won't sleep...

Em momentos nervosos, aqueles típicos de crise, costumo repetir para mim mesma “a dor é ilusória”. E não é? Não, não estou pedindo para amputarem o meu braço a fim de provar que a dor é ilusória, não estou falando da dor que causa a perda de sangue, da dor de uma doença, muito menos da dor da morte. Mas falo daquelas dores criadas e reproduzidas a cada dia pela vida moderna. A dor de se olhar no espelho, de se obrigar a ser feliz e de ser ainda mais frustrado por não conseguir...
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As dores modernas são fúteis, e ainda assim, na sua poça de profundidade, conseguem machucar os corações mais desprevenidos...
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Se o que dói tanto é a aparência, é uma tendência humana se achar horroroso... acho que isso se dá pelo simples fato de termos olhos voltados para fora do nosso rosto, e não penduramos espelhos em nossas cabeças. Vemos muito mais a aparência dos outros do que as nossas, reparamos muito mais na beleza dos outros do que nas nossas, fotografamos outros rostos em momentos únicos, não os nossos... e nessa ânsia por ver e reparar apenas nos outros, queremos viver vidas que não as nossas...
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Outra dor moderna e insuportável é a dor do fim...
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Obs: Vale lembrar que quando uso o termo “moderno” me refiro à sociedade católica apostólica romana ocidental levemente esclarecida em que estou integralmente inserida... Não que os outros não sejam modernos, mas porque desse lado do continente, essa palavra vem com esse peso...
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E outra dor moderna e insuportável é a dor do fim... Quem não sofre? Quem nunca ouviu aquela música de Love Story no meio da rua, pensou que estava ficando louco e realmente estava!? Quem nunca sentiu aquele misto de borboletas no estômago com vômito ao ver o ser amado platonicamente passando bem na sua frente?
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E como sofremos... como sofremos... Nossas vidas continuam sendo exatamente as mesmas, nossos amigos continuam sendo exatamente os mesmos, e até aquele taxado de amor platônico continua sendo exatamente o mesmo! Mas ainda assim, as cores do mundo mudam... tornam-se tons de cinza...
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E é por isso, que para relaxar eu penso “a dor é ilusória”... porque ela realmente é! Essa dor nunca aparecerá no meio da noite para me matar sorrateiramente, jamais se materializará num ônibus que irá me atropelar, muito menos mudará a minha vida.
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Apenas nós mesmos mudamos nossas vidas (e a novidade?). Quem nos faz chorar? Nós mesmos! Nossos pensamentos ilusórios, nossas decepções... E pior! Nós nos provocamos decepções! Nós jogamos a nossa felicidade nas costas do outro, criamos uma imagem irreal do outro, cheia de expectativas, acreditando, infantilmente, que não iremos quebrar a cara!
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Sim, iremos quebrar a cara, iremos morrer mil vezes, iremos chorar a dor ilusórias, iremos nos acalmar, jurar que jamais permitiremos isso novamente, nos apaixonar, nos envolver, e sim... iremos quebrar a cara, iremos morrer mil vezes, iremos... iremos... e continuaremos...

domingo, 20 de setembro de 2009

Ou tudo ou nada

Sempre levei a sério extremos... até um certo ponto da minha adolescência, acreditava que ser diferente ou especial seria conseqüencia de posicionamentos duros, teimosos e radicais... E foi assim por muito tempo, até conhecer a rotina de submissão amorosa à qual estamos todos fadados, nem que seja só por uma vez na vida.

E assim conheci o verbo "ceder", conheci até demais... conheci as possibilidades, principalmente aquelas que o seu próprio cérebro inventa para te fazer acreditar que a rejeição não é a rejeição, que o grito não é exatamento um grito e que brigas vão reduzindo à medida que nos acomodamos. E então conheci um fora... e nossa como doeu... foi a dor mais insuportável da minha vida...

E então conheci outro fora... e doeu mais ainda! Também foi a dor mais insuportável da minha vida... até conhecer outro, e outro, e outro... e todos ganhavam o pódio de insuportabilidade da dor... E então eu desisti...

E me vi numa espécie de bolha, flutuando no ar sem pé, chão, teto ou cabeça... E como me encontrar a partir disso? Como saber quem eu sou depois de 5 ou 6 anos pensando que minha alma era formada da soma entre eu e o outro?

E depois da desilução e todo aquele papo que todo mundo conhece, voltei a ter a maturidade que tinha aos 16 anos de idade... esperando agora evoluir por conta própria, descobrir de fato o que sou ou o que penso... se sou conservadora, se sou inteligente, se sou culta ou se o meu sonho é ser absoluta num crossfox... tanto faz...

E aí... aí sou a incoerência absoluta, querendo o mundo ao meu redor e ninguém por perto... Quero poder ser o colo de tanta gente, ao mesmo tempo não ter colo nenhum, não precisar de ninguém, viver finalmente o meu conceito de liberdade apostólico romano ocidental, achando que assim estou vivendo a vida... mas quero viver essa incoerência, para depois conseguir a minha maturidade... minha, e só minha...

Quero ter uma alma minha... e só minha também...

E então passei a ver o mundo com olhos de tudo ou nada novamente, comecei a buscar minhas opiniões radicais e únicas na sua incoerência... Comecei a ver e viver o meu "tudo ou nada"...

E na minha incoerência, vivi outro tudo ou nada ontem...
Uma ligação recusada, um sumiço, uma porta e um acidente...
Uma batida forte no meu carro ou o meu corpo preso em ferragens?
Uma amiga que está indo embora, um pai que nunca voltou e a perda sempre presente...

Prefiro ser tudo ou nada a viver a construção de um novo buraco

sábado, 12 de setembro de 2009

Quebra-cabeças?

Me ponho tanto no céu profundo quanto no precipício
Numa sensação intensa, cujo efeito é daninho.
Confusa, me vendo entre o bem e o malefício
Não fiz como os poetas que renderam-se ao vinho...

Me rendi, mas aos prazeres da alma tempestuosa.
Que a primeira vista me deixa encantada
Me sinto mais forte, mais corajosa...
Para depois perceber que em verdade, não era nada...
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E aqui deveria ter o final de um poema...
mas não consigo escrever,
mais nada...

Killing time... unwillingly mine

Tive uma constatação óbvia hoje... o tempo não volta...
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Sim, sim... eu sei que não descobri a América por isso... muito menos foi a primeira vez que cheguei a essa brilhante conclusão, mas como todas as vezes que percebo isso, sempre há uma reflexão necessária sobre a vida...
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O tempo não volta! Então... o que fazer? Como aproveitar? Como viver? E inúmeras perguntas retóricas poderiam ser feitas... Sei que não estou no meu pior momento de vida, muito pelo contrário, é um dos melhores. A cada dia uma pessoa nova, um relacionamento, uma vida... Mas até que ponto a festa vale a pena? Justamente pela falta de volta do tempo, até que ponto relacionar-se com alguém vale a pena? Quantas e inúmeras vezes faremos o que não devíamos, diremos uma grosseria, entenderemos contextos totalmente diferentes do real...
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Quantas e inúmeras vezes faremos, no sentido mais cru da palavra, merda com a vida dos outros? Ou com a nossa própria vida?
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Esse é (se não for O) um dos meus medos de relacionamentos... de qualquer espécie... o tempo é único, irreversível, e mesmo tendo consciência disso, vivemos como inconseqüentes... caminhando por um ciclo de desperdício de pessoas enormes... Se eu tiver mais uma birra, perco aquele amigo... Dando mais um tapa, perco um relacionamento paternal... Se eu der mais um passo, perco um brócolis delicioso (não... não é só pelo brócolis)...
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E vou perder mais o quê? Viver é perder? É isso? Cansei de perder pessoas fantásticas na minha vida, cansei de perder momentos importantes, ou a minha memória depois de uma festa... Se bem que... amnésica alcóolica é (às vezes) muito válido...
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Cansei de perder... Mas ainda assim, mesmo tateando bem antes de caminhar, continuo com medo da irreversibilidade do tempo... que definitavemente não volta...
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E justamente por não voltar, tem aquela hora em que você pensa: "iiih fodeu"
E aí... você está fodido...