domingo, 20 de setembro de 2009

Ou tudo ou nada

Sempre levei a sério extremos... até um certo ponto da minha adolescência, acreditava que ser diferente ou especial seria conseqüencia de posicionamentos duros, teimosos e radicais... E foi assim por muito tempo, até conhecer a rotina de submissão amorosa à qual estamos todos fadados, nem que seja só por uma vez na vida.

E assim conheci o verbo "ceder", conheci até demais... conheci as possibilidades, principalmente aquelas que o seu próprio cérebro inventa para te fazer acreditar que a rejeição não é a rejeição, que o grito não é exatamento um grito e que brigas vão reduzindo à medida que nos acomodamos. E então conheci um fora... e nossa como doeu... foi a dor mais insuportável da minha vida...

E então conheci outro fora... e doeu mais ainda! Também foi a dor mais insuportável da minha vida... até conhecer outro, e outro, e outro... e todos ganhavam o pódio de insuportabilidade da dor... E então eu desisti...

E me vi numa espécie de bolha, flutuando no ar sem pé, chão, teto ou cabeça... E como me encontrar a partir disso? Como saber quem eu sou depois de 5 ou 6 anos pensando que minha alma era formada da soma entre eu e o outro?

E depois da desilução e todo aquele papo que todo mundo conhece, voltei a ter a maturidade que tinha aos 16 anos de idade... esperando agora evoluir por conta própria, descobrir de fato o que sou ou o que penso... se sou conservadora, se sou inteligente, se sou culta ou se o meu sonho é ser absoluta num crossfox... tanto faz...

E aí... aí sou a incoerência absoluta, querendo o mundo ao meu redor e ninguém por perto... Quero poder ser o colo de tanta gente, ao mesmo tempo não ter colo nenhum, não precisar de ninguém, viver finalmente o meu conceito de liberdade apostólico romano ocidental, achando que assim estou vivendo a vida... mas quero viver essa incoerência, para depois conseguir a minha maturidade... minha, e só minha...

Quero ter uma alma minha... e só minha também...

E então passei a ver o mundo com olhos de tudo ou nada novamente, comecei a buscar minhas opiniões radicais e únicas na sua incoerência... Comecei a ver e viver o meu "tudo ou nada"...

E na minha incoerência, vivi outro tudo ou nada ontem...
Uma ligação recusada, um sumiço, uma porta e um acidente...
Uma batida forte no meu carro ou o meu corpo preso em ferragens?
Uma amiga que está indo embora, um pai que nunca voltou e a perda sempre presente...

Prefiro ser tudo ou nada a viver a construção de um novo buraco

1 comentários :

  1. Unknown disse...

    "Você faz o que parece ser uma simples escolha: escolhe um homem, um emprego, ou um bairro -- e o que você escolheu não é um homem, um emprego, ou um bairro, mas uma vida." (Jessamyn West)