sexta-feira, 31 de julho de 2009

Rio de Janeiro love blues

Foi qualquer hora
Qualquer gole, um trago
Alguém na rua gritou gol!
Eu vi um balé estranho que passava
De automóveis e naves a brilhar
Rio de Janeiro love blues

E eu mendingando
O teu amor na calçada
Por entre cochichos, gargalhadas
Vendo estrelas e anúncios luminosos
Por baixo da mesa eu te escolhi
Rio de Janeiro love blues

Com o know how de uma dona de casa
Escolhendo as frutas com o freguês
Com a burrice de um peixe
Que morde a isca
Você vai me seguir pra onde eu quiser
Rio de Janeiro love blues

E agora chega de saudade...

terça-feira, 28 de julho de 2009

Fernando Sabino

CARIOCA, como se sabe, é um estado de espírito: o de alguém que, tendo nascido em qualquer parte do Brasil (ou do mundo) mora no Rio de Janeiro e enche de vida as ruas da cidade.


A começar pelos que fazem a melhor parte sua população, a gente do povo: porteiros, garçons, cabineiros, operários, mensageiros, sambistas, favelados. Ou simplesmente os que as notícias de jornal chamam populares: esses que se detêm horas e horas na rua, como se não tivessem mais o que fazer, apreciando um incidente qualquer, um camelô exibindo no chão a sua mercadoria, um propagandista fazendo mágicas. A improvisação é o seu forte, e irresistível a inclinação para fazer o que bem entende, na convicção de que no fim da certo — se não deu é porque não chegou ao fim.


E contrariando todas as leis da ciência e as previsões históricas, acaba dando certo mesmo porque, como afirma ele, Deus é brasileiro — e sendo assim, muito possivelmente carioca.
Pois também sou filho de Deus — ele não se cansa de repetir, reivindicando um direito qualquer. Que pode ser pura e simplesmente o de dar um jeitinho, descobrir um 'macete', arranjar lugar para mais um.


Toda relação começa por ser pessoal, e nos melhores termos de camaradagem. Para conseguir alguma coisa em algum lugar conhece sempre alguém que trabalha lá: procure o Juca no primeiro andar, ou o Nonô, no Gabinete, diga que fui eu que mandei. Até os porteiros, serventes ou ascensoristas têm prestigio e servem de acesso aos figurões. Todo mundo é 'meu chapa', 'velhinho', 'nossa amizade'. Todos se tratam pelo nome de batismo a partir do primeiro encontro. E se tornam amigos de infância a partir do segundo, com tapas nas costas e abraços efusivos em plena rua, para celebrar este extraordinário acontecimento que é o de se terem encontrado.


A maioria dos encontros é casual, e em geral em plena rua — pois ninguém resiste às ruas do Rio: a gente se vê por ai, quando puder eu apareço. Os compromissos de hora marcada são mera formalidade de boa educação, da boca para fora. Mesmo estabelecido, de pedra e cal, há uma sutileza qualquer na conversa, que escapa aos ouvidos incautos do estrangeiro, indicando se são ou não para valer. Na linguagem do carioca, 'pois não' quer dizer 'sim', 'pois sim' quer dizer 'não'; 'com certeza', 'certamente', 'sem dúvida' são afirmações categóricas que em geral significam apenas uma possibilidade.


Encontrando-se ou se desencontrando, como se mexem! As ruas do Rio, mesmo em dias comuns, vivem cheias como em festejos contínuos. Todos andam de um lado para outro, a passeio, sem parecer que estejam indo especialmente a lugar nenhum. As esquinas, as portas dos botequins e casas de comércio, os shopping-centers cada vez mais numerosos, todos os lugares, mesmo de simples passagem, são obstruídos por aglomerações de pessoas a conversar em grande animação.


E como conversam! Falam, gesticulam, cutucam-se mutuamente, contam anedotas, riem, calam-se para ver passar uma bela mulher, dirigem-lhe galanteios amáveis, voltam a conversar. Ninguém parece estar ouvindo ninguém, todos falam ao mesmo tempo, numa seqüência de gargalhadas. Em meio à conversa, um se despede em largos gestos e se atira no ônibus que se detém para ele fora do ponto, a caminho da Zona Sul.


Copacabana, Arpoador, Ipanema, Leblon — praias cheias de cariocas, como se todos os dias da semana fossem domingos ou feriados. Espalhados na areia, ou andando no calçadão, se misturam jovens e velhos de calção, mulheres em sumárias roupas de banho, gente bonita ou feia, alta ou baixa, magra ou gorda, na mais surpreendente exibição de naturalidade em relação ao próprio corpo de que é capaz o ser humano.


Do Leblon em diante, convém por hoje não se aventurar: São Conrado, Barra, Jacarepaguá, Floresta da Tijuca — o dia não terá mais fim. Em vez disso, se o visitante, depois de se deslumbrar com a Lagoa Rodrigo de Freitas, dobrar uma esquina do Jardim Botânico, Botafogo ou Flamengo, de repente se verá numa rua sossegada, ladeira acima, com casarões antigos cobertos de azulejos que o atiram aos tempos coloniais. Laranjeiras, Cosme Velho — uma viela tortuosa o conduz a um recôndito Largo do Boticário, de singela beleza arquitetônica, que faz lembrar Florença.


Se o visitante subir esta outra rua, logo se verá cercado de verde por todos os lados, à sombra de frondosas árvores onde cantam passarinhos e esvoaçam borboletas — podendo até mesmo surpreender num galho as macaquices de um sagüi.


E do alto do morro, verá a paisagem abrir-se a seus pés, exibindo lá embaixo a cidade inteira, do Corcovado ao Pão de Açúcar, entre montanhas e o mar. Depois de admirá-la, sentirá vontade de integrar-se a ela, regressar ao bulício das ruas e ao excitante convívio dos cariocas.
A partir deste instante estará correndo sério risco de ficar no Rio para sempre e se tomar carioca também.

sexta-feira, 24 de julho de 2009

Notícias do Rio

Estou viva! Depois de muitas noites não dormidas, praia, sol, chuva, festa... que cidade fantástica... Tenho só mais uma semana aqui e vou com a certeza de que ao entrar no avião de volta vai bater uma deprê absurda... Feliz por voltar pra todo mundo, mas na merda por sair daqui... Já disse e repito, a minha vida estaria perfeita se eu pudesse transportar todos que amo pra cá!
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E nem sei o que dizer! Aconteceu tanta coisa nessa cidade! Acho que o mais estranho aqui é a simpatia das pessoas... chegam, conversam, ficam amigas e de repente entram no ônibus pra nunca mais te ver na vida... Aqueles que gostam de criar vínculos (como eu) sofrem...
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Vou sentir saudade da vista que eu tenho na barra, de passar 2h num ônibus vendo a orla, de encontrar elenco de novela no shopping, andar pelo calçadão, copacabana... Até da marra carioca eu vou sentir saudade! Esse pessoal que insiste em me dizer que eu tenho sotaque...
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Enfim... vou parar de gastar o meu tempo na internet... afinal de contas, eu tô no Rio de Janeiro!

domingo, 12 de julho de 2009

Chega de saudade

Prometo que ao nadar

vou contar os peixinhos no mar...

quinta-feira, 9 de julho de 2009

Elle s'en va

Contei os centimetros para te dizer,
o valor das melhores coisas que eu vi
Juntei pedaços de papel rasgado,
pra ler depois quando me sentir mal

Sempre soube que a escada está ao nosso lado
Mas como faço sempre, evito descer
em um lugar que eu não posso estar ao seu lado

Quando eu me importava em pensar
Quando eu tentava só pensar

Há algo em cima de nós
Que ainda não aprendemos contar
Sentados no lugar mais alto,
brilhantes diamantes amarelos,
que eu podia ver entre você
e seu imenso espelho da cor do mar
Seus olhos ah....

segunda-feira, 6 de julho de 2009

Birds flying high, you know how i feel

A autodestruição surge após múltiplas perdas
fragmentos de dias perdidos
ao longo dos anos, perdas, rupturas
acúmulo de pequenos conflitos
hora a hora
........... hora a hora
....................... hora a hora
A si próporio torna-se impossível olhar
Quando o gesto falha
quando tudo se modifica
quando após a tentativa
restam só seqüelas
a nova tentativa torna-se então a estratégia
é, na verdade, uma técnica de sobrevivência
E a mão, certeira, não se engana
no número de comprimidos
ou no alvo do tiro
(um só tiro, que seja definitivo)
na angústia intolerável quando nada faz sentido
A angústia intolerável cessa naquele momento
se perde, na mesma perda de tempo
então é passado
Fica-se na dúvida em viver ou morrer
aqui ou lá
partir ou continuar cá
E hesita até o último momento
na esperança de uma paz duradoura que preenche quem parte
morre na esperança de que quem morre renasce

domingo, 5 de julho de 2009

"Yo si sueño en ti"

- Vai rever as rosas. Tu compreenderás que a tua é a única no mundo. Tu voltarás para me dizer adeus, e eu te farei presente de um segredo.

Foi o príncipezinho rever as rosas :

- Vós não sois absolutamente iguais a minha rosa, vós não sois nada ainda. Ninguém ainda vos cativou, nem cativastes a ninguém. Sois como era a minha raposa. Era uma raposa igual a cem mil outras. Mas eu fiz dela um amigo. Ela é agora única no mundo.

E as rosas estavam desapontadas.

- Sois belas, mas vazias, disse ele ainda: Não se pode morrer por vós. Minha rosa, sem dúvida um transeunte qualquer pensaria que se parece convosco. Ela sozinha é, porém mais importante que vós todas, pois foi a ela que eu reguei. Foi a ela que pus sob a redoma. Foi a ela que abriguei com o para vento. Foi dela que eu matei as larvas (exceto duas ou três por causa das borboletas). Foi a ela que eu escutei queixar-se ou gabar-se, ou mesmo calar-se algumas vezes. É a minha rosa.

"Yo si pienso en ti"

(...)

Mas aconteceu que o príncipezinho, tendo andado muito tempo pelas areias, pelas rochas e pela neve, descobriu enfim uma estrada. E as estradas vão todas na direção dos homens.

- Bom dia, disse ele.

Era um jardim cheio de rosas.

- Bom dia, disseram as rosas.

O príncipezinho contemplou-as. Eram todas iguais à sua flor.

- Quem é? Perguntou ele estupefato.
- Somos rosa, disseram as rosas.
- Ah ! Exclamou o príncipezinho...

E ele sentiu-se extremamente infeliz. Sua flor lhe havia contado que ela era a única de sua espécie em todo o universo. E eis que havia cinco mil, iguaizinhas, num só jardim !

« Ela haveria de ficar bem vermelha, pensou ele, se visse isto... Começaria a tossir, fingiria morrer, para escapar ao ridículo. E eu então teria que fingir que cuidava dela; porque senão, só para me humilhar, ela era bem capaz de morrer de verdade... ».

Depois, refletiu ainda: "Eu me julgava rico de uma flor sem igual, e é apenas uma rosa comum que eu possuo. Uma rosa e três vulcões que me dão pelo joelho, um dos quais extinto para sempre. Isso não faz de mim um príncipe muito grande...". E, deitado na relva, ele chorou.

(...)

sexta-feira, 3 de julho de 2009

Too high, can't come down

Eu gosto de tudo que é livre
tudo que é belo
e igualmente moderno

Eu sou cosmopolita
fujo do excesso
da grossura
e principalmente da rotina

Façamos tudo com amor
até mesmo o sexo
que anima relações
entre relações sem nexo

Vejamos tudo sem dor
gostamos de tudo que é belo
e eu viverei feito sonhador
fazendo tudo que te mantém por perto

É...
a vida tem mais é que ser foda...

quarta-feira, 1 de julho de 2009

Fuckin' past

Amor… dizem que o amor não se descreve, se sente… na mais perigosa das montanhas-russas que alguém pode encarar, aquela que te leva ao céu e em seguida tomba, causando alegrias e dores incomparáveis.

Mas quero fazer o sentido contrário agora, cansada de tanto sentir, quero só pensar… justamente um dos objetivos que estabeleci para a minha vida, pensar, e pensar cada vez mais… pensar direito… Penso o amor, e o que me vem à cabeça num primeiro instante é certa noite, em que o amor com certeza evaporou pelos meus poros, atingindo um nível de materialização quase tocável.

Talvez o meu primeiro erro tenha sido abrir a porta poucas horas depois, ao invés de permanecer ali trancada, eu e o meu amor… talvez teria sido melhor ficar ali deitada, abraçada, evaporando… definhar até morrer de fome, ir secando aos poucos, sentir dor e quanto maior ela ficar, mais apertar o abraço, até perder a consciência… Desmaiar em pleno óbito, e deixar a rigidez cadavérica tomar o corpo horas depois, tornando o abraço interminável… que encontrassem o meu corpo depois, meu e do meu amor…
Num segundo instante, me vem o amor platônico… nas suas duas concepções: a errada, materializada nos meus últimos dois anos e seis meses, e a correta… Errada porque esse amor platônico ao qual sempre estamos nos referindo, não passa de uma má interpretação… onde o amor não é uma idealização, mas uma realidade essencial, onde o amante busca no amado a verdade, a única que não possui.

E encontrando esse amor, supre a sua falta, se torna pleno, e torna o outro pleno… ama por amar, quer o bem por querer, e é inteiro por ser… Nisso eu encontro o que foi talvez o meu segundo erro… naquela noite em que o meu amor se condensou numa nuvem que inundou o quarto, deveria ter guardado parte dele num pote, e tomar dele um trago a cada dia, e viver cada dia inteira, abrindo o peito ao mundo, certa do que sou e do que fui, certa de que amo e de que sou, eu e o meu amor…

Enjoy the silence

tu était tout que j'aimais
avec toi, j'avais tout que je crois
tu était mon bouquet plein des fleurs
et tu était l'aorte de mon coeur

tu était le tabac de ma pipe
avec toi mon inver était un tropique
tu était le ciel devant ma terre
et tu était la main de ma caresse

tu était la belle de ma bête
tu es la tristesse du poète
sans toi, je perds ma tête
tu était, je suis sûr, mon sexe...

tu était le gout de mon vin
tu était l'herbe de mon joint
tu était le plaisir de mon soupir
et les éclats de mon rire

sans toi mon sage se tombe fou
tu était, de mon très peu, le beaucoup
tu était le jamais de mon toujours
et tu était mon amour, je suis sûr...