domingo, 5 de julho de 2009

"Yo si pienso en ti"

(...)

Mas aconteceu que o príncipezinho, tendo andado muito tempo pelas areias, pelas rochas e pela neve, descobriu enfim uma estrada. E as estradas vão todas na direção dos homens.

- Bom dia, disse ele.

Era um jardim cheio de rosas.

- Bom dia, disseram as rosas.

O príncipezinho contemplou-as. Eram todas iguais à sua flor.

- Quem é? Perguntou ele estupefato.
- Somos rosa, disseram as rosas.
- Ah ! Exclamou o príncipezinho...

E ele sentiu-se extremamente infeliz. Sua flor lhe havia contado que ela era a única de sua espécie em todo o universo. E eis que havia cinco mil, iguaizinhas, num só jardim !

« Ela haveria de ficar bem vermelha, pensou ele, se visse isto... Começaria a tossir, fingiria morrer, para escapar ao ridículo. E eu então teria que fingir que cuidava dela; porque senão, só para me humilhar, ela era bem capaz de morrer de verdade... ».

Depois, refletiu ainda: "Eu me julgava rico de uma flor sem igual, e é apenas uma rosa comum que eu possuo. Uma rosa e três vulcões que me dão pelo joelho, um dos quais extinto para sempre. Isso não faz de mim um príncipe muito grande...". E, deitado na relva, ele chorou.

(...)

2 comentários :

  1. Unknown disse...
    Este comentário foi removido pelo autor.
  2. Unknown disse...

    (...)
    O pequeno príncipe foi rever as rosas:
    - Vós não sois absolutamente iguais à minha rosa, vós não sois nada ainda. Sois como era minha raposa. Era uma raposa igual a cem mil outras. Mas eu a tornei minha amiga. Agora ela é única no mundo.
    E as rosas ficaram desapontadas.
    - Sois belas, mas vazias - continuou ele. - Não se pode morrer por vós. Um passante sem dúvida pensaria que a minha rosa se parece convosco. Ela sozinha é, porém, mais importante que todas vós, pois foi ela quem eu reguei. Foi ela quem eu pus sob a redoma. Foi ela quem abriguei com o pára-vento. Foi nela que eu matei as larvas (exceto duas ou três por causa das borboletas). Foi ela quem eu escutei queixar-se ou gabar-se, ou mesmo calar-se algumas vezes.
    (...)
    - Adeus - disse a raposa. - Eis o meu segredo. É muito simples: só se vê bem com o coração. O essencial é invisível aos olhos.
    - O essencial é invisível aos olhos - repetiu o principezinho, para não esquecer.
    - Foi o tempo que perdeste com tua rosa que a fez tão importante.
    - Foi o tempo que perdi com a minha rosa... - repetiu ele, para não esquecer.
    - Os homens esqueceram essa verdade - disse ainda a raposa. - Mas tu não deves esquecer. Tu te tornas eternamente responsável por aquilo que cativas. Tu é responsável pela tua rosa...
    (...)