segunda-feira, 31 de agosto de 2009

Lobotomy ensures my good behavior

You’ve become my life and death,
energy and peace…
And if I stop today it was still worth it.
Even the terrible mistakes that we made
and would have unmade if we could.


You were still worth it.
The pain that have burned me
and scarred my soul,
it was worth it…


Because when you kiss me,
I fell all four winds blow at my face…
Because you allowed me
to walk where I’ve walked,
which was to hell on earth,
heaven on earth,
back again, into, under,
far in between, through it, in it,
and above…


But what will I do
when you have no love for me?
When you become my lost captive
and no longer lies along my legs?


I’ll stop that day
but it will be still worth it…

De Ushuaia a la Quiaca

Acordei com vontade de mostrar ao mundo as minhas três maiores paixões, assumi-las e explicá-las… Hoje acordei com vontade de dizer que amo a palavra, admiro o ser humano e desejo o mar… Sou apaixonada pois cada vez mais vejo o tanto que são belos, imprevisíveis e igualmente misteriosos...
.
A palavra pode vir da forma que for, e entendida de um jeito ainda mais único... dependendo sempre da entonação, do seu contexto, da língua de quem fala e do sentido desejado. Em conjunto, formam, quem sabe, a minha futura profissão... em catarse, formam o maior turbilhão emocional que pode ser visto... começam e destroem relações, vidas, filosofias e histórias... São tão belas que tem a capacidade de arrepiar um corpo pelo simples toque no ar... ainda mais no ar sussurrado...
.
Pessoas também são palavras, só que mais fortes, mais sólidas... arrepiam com o toque físico, alegram com um sorriso, aparecem e desaparecem, deixando a nostalgia de um tempo bom, ou a esperança de alguém novo que sempre vem... São tão imprevisíveis quanto a própria vida... de repente você está ali, jogando sinuca... e uma garota de vermelho sorri do outro lado da mesa (não é fonso?), de repente essa pessoa está com você há dois anos... e quando menos se espera, você está numa festa aguardando a amnésia alcóolica do dia seguinte... e alguém sempre liga...
.
E de repente... você está em frente ao mar... e milhares de pessoas também estão em frente ao mar, nas situações mais diversas possíveis. Sempre imagino quantas mulheres estão ao sol, quantos pescadores estão torcendo por um dia melhor, e quantas pessoas estão sentadas de casaco tomando frio na areia como eu, numa pseudo-filosofia-moderna... rasa e absoluta, e cujo fim é encontrado em si mesma...
.
.
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. . .Essa última é a paixão mais forte de todas... é a única que restará quando as palavras não fizerem mais sentido, e quando não me apaixonar mais por pessoas... o amor pelo desconhecido continua... nem que seja mais ao fundo...

sábado, 22 de agosto de 2009

Sem título

Acordo, paro, olho e me vejo entre
O espelho e a sempre presente pergunta:
Ainda sou aquelel fruto de um ventre
Ou tornei-me fruto da constante permuta?

Não posso tecer o meu auto-retrato
Enquanto meu corpo estiver em guerra.
E vez ou outra provo a paz num contrato,
É quando ponho meus pés sobre a terra.

Por não saber quem sou, realizo a proeza
De ser tudo e nada... Continuo assim
Tendo a cabeça erquida como lema

Somente posso afirmar com certeza
Que há alguém escondido dentro de mim
Podendo ser mais eu do que eu mesma...

domingo, 16 de agosto de 2009

Tem uma outra cabeça + Sobrevida

Tem uma outra cabeça na minha cama
Não sorri, mas ampara meus passos
Nos dias de chumbo, na lama do fundo

Tem uma outra cabeça na minha cama
Às vezes tem pesadelos
Às vezes me estende a mão
E me é às vezes desconhecida...

Tem uma outra cabeça que reinventa o mesmo
Em tudo que se ama
Que me lembra feridas, e perfumes dos momentos
Que não é metade de mim, mas me acompanha
Nessa minha curta longa vida

Tem barulho de gente na minha cama
Não é metade de mim
Mas me ama assim
Aos tropeços
E se há esquinas onde às vezes me firo tanto
É porque é na dor
Que se vislumbra algum futuro encanto

Tem corpo conhecido na minha cama
O resto é concreto muro, rachado e duro
E há séculos que, ao dormir eu o escuto
E isso me emociona
Saber que o sonho
Não está onde é sonhado, mas onde é pensado
Com insistência e arte
Tem alguém na minha cama
Que ao dormir, finge que parte

sexta-feira, 14 de agosto de 2009

Pra onde se vai

a
sua
infância
foi aquilo
que inventaram
para fazer você
acreditar que
já foi feliz
após sair
chorando
de um
O

quarta-feira, 12 de agosto de 2009

Love is these blues that i'm singing again

Escrevo minha língua na folha
Se minha própria língua não fala.
Mantenho a catarse à minha sombra
Na sombra de um quarto, cama ou sala.

Plantei meu pés distante do céu
Fiz raízes de quem adormeceu
Há muitos dias. Deixei ao meu redor
Folhas secas de uma dor maior.

E esse som de cravo é o meu choro
Trasmutado. Como o meu corpo
Antes roto, é agora outro cravo.

Por fim não ouço nem uma palma
Mesmo que na escrita eu me feche
E mesmo que eu nunca mais me abra.

terça-feira, 11 de agosto de 2009

Enquanto isso em 2005

Pobre gente esta que está inteiramente
amarrada à etiqueta
Pobres tão de corpo quanto de mente
a medida que sentam-se à mesa
durante anos forçando-se rigidamente

A medida que tudo passa e tanto treme
seja o vagão das sete
(ou as vezes que me uso do canivete)
A medida que morro ante os deuses
tão cedo quanto morro
ou quando já não conto mais as vezes
que provoco meu próprio aborto

Por todas as vezes que dei ao mundo
a saliva do meu cuspe
quando estes não valorizam mais que tudo
aquilo que valorizo mais que tudo,
... e ainda não sabem nada a meu respeito.
Não preciso me lembrar de todos
com ardente afeto

Monumento de hospício

O ser humano é estômago e sexo... Às vezes penso que não tenho nenhum dos dois. Vomito tudo que como, antes mesmo de sentir o gosto, e meu sexo é vazio. Mas o estômago ronca... nessas horas me sinto humana, quando não sinto nada... E às vezes também meu sexo se disfarça no amor, mas isso também passa... passa o gozo, volta a fome... era sexo e o meu vazio...

quarta-feira, 5 de agosto de 2009

Silêncio na Avenida Presidente Vargas

Me traduzo num retrato da contemporaneidade, tão profunda quanto. E me vendo refletida nessa poça d'água, vejo também ídolos que já têm a minha idade, ou são até um pouco mais novos... Talvez daí venha a minha crise... sensação de velhice precoce, de tempo perdido... Ainda mais quando fui programada pra ter a sensação de tempo perdido:
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"Meu nome é Cinthia, tenho 20 anos, sou estudante de Direito, sou estudante de Letras em uma federal, sou fluente em português, inglês e francês..."
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E daí ???
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É um belo curriculum, não vou negar... e o tempo perdido? Onde? Se sou quase um robô acadêmico? Se sofro do mal do excesso de formação?
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É tempo perdido quando no final do dia fico completamente rasa, longe da abstração... Abstração que busco, difícil de entender e mais difícil ainda de explicar... Abstração que invade o corpo, quero entrar em sintonia com o mundo, deixar meu corpo espalhado por cidades e pessoas, e depois me derramar do céu... é essa a abstração que busco... me tornar cidadã do mundo, pra quem sabe descobrir que em 6 bilhões de pessoas, existe uma com a qual me identifico...
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Nem pense que falo do romance... se tem delírio maior que o meu, só esse... e que fique bem longe de mim...
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Existe um lugar, uma certa hora do dia, um alguém e toda uma situação com a qual eu vou me identificar... em alguma parte do mundo... E então eu vou saber que vim de lá, vou deixar de me sentir flutuante entre todos os contextos da minha rotina.... Vou deixar de ser um retrato da contemporaneidade: raso, absurdo, violento, sem sentido, fútil e infantil... e vou criar raízes...

domingo, 2 de agosto de 2009

Brasília

Antes fosse cidade grande... mas continua tendo charme...