quarta-feira, 5 de agosto de 2009

Silêncio na Avenida Presidente Vargas

Me traduzo num retrato da contemporaneidade, tão profunda quanto. E me vendo refletida nessa poça d'água, vejo também ídolos que já têm a minha idade, ou são até um pouco mais novos... Talvez daí venha a minha crise... sensação de velhice precoce, de tempo perdido... Ainda mais quando fui programada pra ter a sensação de tempo perdido:
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"Meu nome é Cinthia, tenho 20 anos, sou estudante de Direito, sou estudante de Letras em uma federal, sou fluente em português, inglês e francês..."
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E daí ???
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É um belo curriculum, não vou negar... e o tempo perdido? Onde? Se sou quase um robô acadêmico? Se sofro do mal do excesso de formação?
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É tempo perdido quando no final do dia fico completamente rasa, longe da abstração... Abstração que busco, difícil de entender e mais difícil ainda de explicar... Abstração que invade o corpo, quero entrar em sintonia com o mundo, deixar meu corpo espalhado por cidades e pessoas, e depois me derramar do céu... é essa a abstração que busco... me tornar cidadã do mundo, pra quem sabe descobrir que em 6 bilhões de pessoas, existe uma com a qual me identifico...
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Nem pense que falo do romance... se tem delírio maior que o meu, só esse... e que fique bem longe de mim...
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Existe um lugar, uma certa hora do dia, um alguém e toda uma situação com a qual eu vou me identificar... em alguma parte do mundo... E então eu vou saber que vim de lá, vou deixar de me sentir flutuante entre todos os contextos da minha rotina.... Vou deixar de ser um retrato da contemporaneidade: raso, absurdo, violento, sem sentido, fútil e infantil... e vou criar raízes...

1 comentários :

  1. Unknown disse...

    silêncio no meu peito que concorda com cada uma das suas palavras.
    parabéns cinthinha. muito bem escrito. muito um pouco da nossa juventude.

    beijos