Platinum
Não importa a atividade física feita a 119 batimentos cardíacos por minuto, gastando 60% da freqüência máxima que meu coração poderia agüentar, tanto faz se eu passo horas em excessivos abdominais ou lavando a roupa que eu sempre deixo acumular... não me interessa nada, não me importa nada, por mais que eu deitena cama esse maldito sono não vem...
Ainda não me venci pelo cansaço e a longa caminhada de insônia que eu tenho pela frente só me faz deixar mais e mais pensativa, mais e mais poética, e mais e mais cansativa... tanto quanto "sacal" seria estar ao meu lado (no seu caso) mais seria feliz para mim, será?
Embriaguez, paixão e loucura.... e ainda há aquele que se conserva tão calmo, tão indiferente, aqueles, os homens de moral que esmurram o bêbado, repelem o louco cheios de asco, e passam adiante, como o sacrificador, agradecendo a Deus por não haver feito deles um desses desgraçados...
Desgraçada poderia ser eu que tenho me embriagado mais de uma vez, entre paixão roçando sempre pela loucura, seria eu, mas disso não me arrependo porque só assim chego a compreender (numa certa medida) a razão porque em todos os tempos sempre foram tratados como ébrios e loucos os homens extraordinários que realizaram grandes feitos, os que pareciam impossíveis, os grandes homens que amaram demais e conseguiram sobreviver... todos aqueles são os verdadeiros insensatos pois vivem num jejum forçado e louco de não morrer por amar e viver amando uma entidade que não existe!
Mas também louca sou eu, e injusta também... grande injustiça tenho feito todos os dias, com todos aqueles que me amam e me amaram, absolutamente nenhuma das juras feitas para mim me servem de alguma coisa agora! Absolutamente não amo mais a minha própriamãe na mesma medida (ainda que a considere com tamanho respeito que não demonstro e aquela ponta de gratidão que sempre me falha à memória pelos grandes atos feitos e não feitos dela para mim), grande ingratidão com meus mais verdadeiros amigos, grande ingratidão comigo...
Porque eu não fico mais quieta, mais acanhada, mais cabeça baixa? Naquele canto tal quentinho e seco perto da janela do meu quarto, eu preciso escrever! Eu preciso extravazar em caracteres frígidos todo o misto de indolência e agitação que me faz perder o maldito sono numa Quinta ou num Domingo à meia-noite e meia........(hora que tudo de ruim toma conta da cidade naqueles filmes antigos de horror, mas hora que toda a inspiração incha as minhas veias numa maldita poesia tão desgastada quanto ignorada)
Louca, embriagada e ainda poderia ser desgraçada, se por mais um instante minhas falcudades mentais perdessem o equilíbrio além daquilo que eu possa suportar...
Se me deito não tenho sono, não posso ficar desocupada e no entanto nada posso fazer, não tenho mais imaginação e os livros só me inspiram tédio... tudo me falta quando estou em falta comigo mesma...
Mas voltado à injustiça, se me permite maiores explicações, é uma grande injustiça já não amar outros na mesma medida porque todas as minhas atenções eram voltadas a você! É aí que está, é me despertar dos sonhos importunos sem perspectivas da merda de dia que eu vou ter, quando entediada eu acordo estirada sobre a minha cama te procurando, na inocente ilusão de que você estava ao meu lado, eu ainda mal acordo e te procuro tateando, até que tudo me cai e arregalo completamente os olhos à realidade, engulo a torrente de lágrimas e nos dias que sofro com pesadelos ou medo do escuro simplesmente choro contemplando cheia de amargura o dia que me aguarda......................
Injustiça a minha pobre mãe que por tanto me amar como eu era, sente raiva quando eu peço o mundo ao invés dela ... injustiça aos meus amigos que dizem me adorar, que sempre me prometem apoio no meio da madrugada, quando eu acordo em pesadelo eu penso em ligar pra você (!) mas nunca ligo, porque injustiça maior seria te acordar, porque injustiça maior ainda é pensar em dizer que te amo mais do que amo a própria vida quando eu mesma acredito que a minha vida não vale nada!
Injustiça ao mundo que me oferece condições de viver, quando eu só aceitei se tivesse a condição de viver ao seu lado..... esqueço as grandes e raras calamidades deste mundo, nada me comove, o que me dilacera o coração é essa força que está oculta em toda a natureza....
Prossigo vacilante na opressão, entre o céu e a terra com as suas forças sempre ativas... prossigo depois que um véu rasgou-se diante de minha alma e o teatro da vida infinita mudou-se, mas não num túmulo eternamente escancarado, vejo todas as forças dilacerantes com mais avidez e paradoxalmente, mais beleza ainda...
Tanto quanto se torna belo tudo aquilo que refletiu nos seus olhos quanto belos já são, servindo ou não de espelho para a minha alma ou passagem direta para a sua... "morro ante os deuses tão cedo quanto morro"... Perdoe-me as palavras um tanto quanto forçadas pra dizer a expressão mais simples, mais desgastada e menos acreditada que peita todas as forças da natureza ocultas ou não, ativas ou não.... tudo se resume àquilo sintetizado em dois pronomes e um verbo conjugado (como se a estrutura em si fosse tão simples assim).......
E foi tanto tanto tanto....
Eu te amei, eu bebi e me calei...

1 comentários :
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