sexta-feira, 6 de novembro de 2009

Enquanto isso na Unibam

Já ouvi diversos posicionamentos sobre o caso da estudante covardemente insultada e sua minissaia... afinal de contas, escâncalos são excelentes tópicos de conversas de butiquim.

Dentre as diversas filosofias, e mais eloqüentes teorias, há duas e principais correntes. A primeira assegurando que a dita estudante fez por merecer, pois convenhamos.... micro-minissaia não tem lugar em faculdade. E a segunda corrente é apoiada por mentes mais "liberais", defensoras da garota e crentes que a Uniban é formada apenas por gordas e gays (por favor, percebam o tom irônico da situação todas).

Sem querer entrar no mérito do porquê um vestido vermelho foi usado aquele dia, ou a preferência sexual dos estudantes, vejo aqui duas situações ainda mais alarmantes. A primeira delas, já conhecida por muitos, é essa doença social que afeta o país há sabe-se lá quantos anos (se não é desde que o Brasil se entende por Brasil) e irritantemente insiste em esconder os mais diversos tipos de intolerância arraigados no nosso sangue. Somo "liberais" e simultaneamente conservadores...

Como já reclamei em água passadas, louvamos bundas carnavalescas e prezamos pelo sexo pós-casamento. Somos um país com uma porcentagem gigantesca de divórcios, mas mantemos a família como pilar da nossa sociedade... sem contar que somos o país com o maior número de fiéis cristãos, e sede de aproximadamente 3 milhões de abortos ilegais e infectos por ano...

Acredito que seria excelente escrever sobre isso no "Dia Internacional da Mulher" (mas a distância da data não me permite esperar), afinal é o momento em que mais se fala no grande mito do "sufrágio universal". A maravilhosa isonomia de gêneros que, nesse país e no resto do mundo, é tão real quanto elefantes cor-de-rosa... assumam: o nosso país é machista!

Basta olhar para uma simples propagande de detergente, que não difere muito das que já existiam nos anos 50. As mulheres felizes por ganhar um liqüidificador no natal foram substituídas por mães neuróticas por limpeza. E até atrizes, dotadas daquele ar de independência adotam o estima da multi-mulher: são mães, empregadas domésticas, esposas e profissionais liberais de uma só vez. Sendo que os trabalhos mais importantes são os de empregada doméstica e esposa....

Já a segunda doença social que vejo não é típica do brasileiro, mas do globo... é a incapacidade humana de agir isoladamente, adotando o disfarce do grupo para não dar a própria cara a tapa. Sabemos que é reprovável chamar alguém de "puta", sabemos o que fazer para humilhar alguém, sabemos quando estamos cometendo um crime, e quando estamos em grupo usamos o disfarce do super-homem. Me preocupa saber que essa é a mesma fórmula usada por grupos extremistas, neo-nazis, espancadores de garçons e queimadores de índios... extirpa-se a responsabilidade se existe o grupo...

E no caso específico daquela menina, basta que um, escondido pela máscara do grupo, jogasse um caderno, uma pedra, um sapato ou um tapa, para que os outros universitários (uma das esperanças do nosso país!) agissem como uma alcatéia de hienas sedentas por carniça.

Creio a cada dia que não deveríamos usar a palavra "sociedade" para definir sociedade... Deveria se chamar Butantã...

segunda-feira, 2 de novembro de 2009

I said maybe

O seu olhar lá fora,
O seu olhar no céu
O seu olhar demora
O seu olhar no meu...

O seu olhar melhora o meu...

Onde a brasa mora
E devora o breu
Como a chuva molha
O que se escondeu

O seu olhar agora,
O seu olhar nasceu,
O seu olhar me olha,
O seu olhar é seu...

O seu olhar melhora o meu.

sexta-feira, 30 de outubro de 2009

Oh well, whatever, nevermind

Longo deveria ser o abraço,
tão grande quanto a força do próprio braço...
e esses dois deveriam se igualar ao peso da saudade...

Saudade é vida de beira de abismo, sabendo que existe sim alguém do seu lado, mas por alguma razão, a distância é intransponível...

quinta-feira, 29 de outubro de 2009

Tourne

Não tenho dúvida... sou viciada... eu e a torcida do flamengo...

Meu primeiro vício provavelmente foi o leite materno... aposto o meu irmão que eu ficava chorando o dia inteiro querendo mais. E como todo psicólogo mais ortodoxo diria... parei na fase oral... não, não é o momento de pensar em duplos sentidos...

Descobri o cigarro! E as portas para uma vida social totalmente nova, no grupo dos "descolados" da escola, aquela coisa meio James Dean no portão de entrada... calça jeans, coturno, cara de má e o cigarro no canto da boca. Até algum tempo atrás pensei se tratar de um vício charmoso... hoje em dia é só vício. E o interessante é que todos os meus vícios foram adquiridos na adolescência. Inclusive o primeiro gole de álcool, ruim que só... mas muito engraçado quando foi somado a outros 20 goles...

Descobri o vício do "gostar" de alguém... já que "amor" e "paixão" eram termos muito fortes pra época. Gostar é diferente, poucos conseguem sentir isso depois dos 20... a sensação de insegurança sem o menor fundamento e as tais das borboletas no estômago voando histericamente. Gostar também é um vício, mas essa é uma droga rara. Acho que chega a ter mais heroína no Brasil inclusive...

Depois começam os vícios pesados... a preocupação com o dinheiro, especialmente quando você um estudante/recém-adulto desempregado... e por fim, o mais punk de todos... o amor é claro... E sem esse, eu não vivo nunca, tenho certeza...

sábado, 24 de outubro de 2009

The lights are on but there's no one home

Não que o mundo tenha mudado tanto quanto ele girou nas últimas décadas, mas é de se crer que alguma diferença surgiu no que diz respeito à isonomia de gêneros... isso é que eu quero pensar... No entanto, pensar dessa forma é cada vez mais difícil quando sou obrigada a me deparar com um livro chamado "Descubra sua vaca interior - Manual da mulher poderosa" entre as prateleiras da Saraiva.

Embasbacada com o título (afinal de contas, nunca pensei em descobrir o ruminante dentro de mim), vejo que o pior ainda está por vir: o livro é um manual de como ser independente e dar a cara à tapa com suas opiniões próprias.

Quer dizer que se sou auto-suficiente e falo o que é penso... eu sou uma vaca??? Eu achava que já havíamos pulado essa parte não? E os anos 70? A criação do Conselho dos Direitos da Mulher? O tal do sufrágio universal?

Elizabeth Hilts (autora do livro) é mais uma peça dessa quebra-cabeça maluco que é o Ocidente... e o qual não faz o menor sentido! Há 24 horas pensava sobre a imposição midiática da castidade nos jovens de 14 a 25 anos (pasme!) e cruzo com esse livro. Afinal, o que esperam que sejamos??? Vivo no país do carnaval, entre anéis de castidade e manuais da cretinice! Vivo num mundo onde as mulheres ou têm curvas ou têm neurônios, combinadas com a capacidade de ganhar um horário televisivo dependendo da excelência do, perdoem-me, boquete.... Estudo em faculdades rodeada por moças de família, tão fofinhas quanto necessariamente virgens...

E o best-seller do ano de 2005 foi escrito por uma prostituta!

Alguém encontra o sentido e me fala qual é por favor?

Obs: "vaca" foi a tradução brasileira para o termo "bitch", mas notem que ele também pode ser substituído por cadela, cachorra ou puta... como quiser...

quinta-feira, 22 de outubro de 2009

Who will comfort me?

Não aprendemos nada com os nossos pais, muito pelo contrário, parece que somos cada vez mais inspirados pelos nossos avós! Já comentei com uma série de pessoas o seguinte fato presenciado por mim, mas conto novamente:
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Lá estava eu feliz e contente numa aula prática de processo penal, quando não pude deixar de ouvir a conversa entre duas jovens mulheres sentadas ao meu lado...
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- Sabe... eu chorei tanto, mas tanto, mas tanto quando ele me disse que não ia... Mas não mostrei que estava triste, e pisei nele amiga...
- Ah bem feito amiga! - disse a outra empolgadíssima com a pena que o sujeito sofria por sabe-se lá qual pecado.
- E aí a gente conversou... mas quando fez as pazes... sabe... ele mó veio com segundas intenções!!
- Como assim amiga?
- Sabe... o assunto veio parar de novo no...sshhcso... - sendo essa última palavra absurdamente baixa...
- No que amiga??
- No seexo amiga!!
- Ele ainda insiste nisso??? Amigaaa... ele não te respeita meeesmo!! - e as duas ficaram se olhando embasbacadas com tamanha brutalidade... afinal de contas... como um ser humano de 21 anos de idade tem a coragem de assumir que tem vontade de dar umazinha???
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E nisso o meu cérebro deu TILT...O assunto todo me veio à cabeça quando conversava com uma grande amiga ontem, que me contava uma situação semelhante na sua aula de psicologia. A cena é a mesma: duas jovens (pelos seus 22, 23 anos) conversavam e riam baixinho, até que outra pergunta sussurrando "você é virgem?"
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Outro cérebro pifa... A questão aqui não é ser ou não ser virgem... Até mesmo porque com 20 anos na cara, ter esse tipo de "debate cabeça" seria mais sem noção que a própria crítica. A questão é que em pleno século XXI, após vários sufrágios forjados ou não, após uma contínua luta pela isonomia de gêneros, após a queima de sutiãs e mulheres em fábricas... sexo é um imenso tabu. E não falo só de bizarrices e fetiches. O simples ato de transar por prazer é um tabu! Aliás "transar" é um termo tabu, e deus sabe lá quantos outros tabus temos por aí...
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E no final de tudo... os ídolos da nossa juventude usam um anel símbolo de castidade.

quarta-feira, 21 de outubro de 2009

Forgot about my love

Em pleno século XXI, os relógios ganharam a capacidade de tornar 24 horas um espaço de tempo muito curto. E ganhamos a excelente capacidade de viver sob pressão... A clássica pressão da classe média, aquela que todo mundo conhece: preocupada com a violência mas nem tanto, ganhando dinheiro, mas nem tanto, e relaxando num pacote CVC tri-anual.

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E como não podia ser diferente, cria medianamente classisista, sou um ser pressionado por natureza... E num surto de reflexão, gastei alguns minutos do meu curto dia para pensar no assunto.

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O mais bizarro dessa história toda foi que a minha primeira pressão foi a pressão estética... Um processo maluco capaz de atingir uma menina de 04 anos de idade infeliz com os olhos castanhos e inconformada com a própria "feiúra", com a magreza e os cachos formados nas pontas do cabelo.

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Veio então o conformismo, se não conquistava de um jeito, conquistaria de outro. E nisso fagocitei o conceito "feia e nerd", só faltou o aparelho nos dentes... A pressão estética continuou e somou-se à pressão de gabaritar provas...

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O mundo não parou por aí, muito menos a paranóia, era preciso ganhar cultura... Ao menos essa foi uma pressão da qual não me arrependo. Não me arrependo mesmo... Dostoievski, Zola, Pessoa e Saramago tornaram-se nomes conhecidos que, dentre vários outros, tomei como parte essencial na minha vida, e até mesmo uma futura profissão...

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E assim eu sigo... cambaleante entre uma pressão e outra, lutando para vencer a pressão de ser bonita, bem sucedida (para dizer um eufemismo de rica), culta, amada, simpática, malhada e todos esses absurdos que tomamos como essenciais para nossas vidas... Todos os supérfluos que juntos formam o nosso hino, formam a nossa nação desesperada, classicista e hipocritamente moralista...

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E assim eu me formo, assim eu me guio...